×
Bianca Paim
20.07.2020
16:39
Crítica | Taylor Jenkins Reid dá vislumbres de uma  escrita primorosa em “Amor(es) Verdadeiro(s)
A capa do livro Amores Verdadeiros tem como fundo uma piscina com uma água cristalina em tom turquesa onde duas pessoas boiam com boias coloridas. Nas extremidades da capa estão o nome da autora e o título em laranja e branco.

Emma Blair foi uma típica adolescente americana de cidade pequena, rebelde e que sonhava em ir para bem longe e contrariar todos os planos que a família tinha para ela. Ainda no colegial Emma conheceu Jesse, aquele que viria a ser seu grande amor, que entre muitas outras semelhanças dividia com ela essa vontade de se aventurar no mundo e viver sem amarras. Os dois se apaixonam e vivem o sonho intensamente.

Viajam o mundo inteiro, sem criar raízes em lugar algum. No seu primeiro aniversário de casamento, quando pareciam estar vivendo o seu “felizes para sempre”, Jesse sofre um grave acidente de helicóptero durante uma viagem a trabalho e é dado como morto. A partir daí Emma terá que reaprender a viver e lidar com a depressão causada pela falta desta parte de si mesma.


Após passar por momentos bem difíceis ela decide dar um ’restart’ em sua vida e retornar as origens, para ficar perto da família e se redescobrir. É então que ela reencontra Sam, um velho amigo dos tempos de escola, que vai mostrar a ela que ainda há espaço para um novo amor.
Após conhecer uma nova versão de si mesma e viver um amor calmo e acolhedor ao lado de Sam, Emma vê sua vida sair completamente do eixo outra vez quando ela recebe uma ligação inacreditável.

“Eu estava terminando de jantar com a minha família e com o meu noivo quando meu marido de repente me liga”

Uma ligação de Jesse. Ele está vivo e quer voltar para casa.

Como Emma vai resolver a situação de ter simultaneamente um marido e um noivo? Passar por esta circunstância inimaginável, a obriga a reavaliar a própria vida e as mudanças que estão acontecendo rápido demais, ameaçando atropelá-la. Emma entende que chegou a hora de ser fiel a si mesma, condição essencial para ser bem sucedida na decisão que tem pela frente.

“Não acho que um amor verdadeiro precise ser o único. Acho que amor verdadeiro significa amar de coração. Amor puro e simples. Amor por inteiro.”

Como escolher entre o homem que você achou que seria o amor da sua vida, que teve que passar pelo luto de ter achado que ele morreu, e o homem que te ensinou a amar novamente e a acreditar que ainda existe felicidade pra você? É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? A história também explora bem a questão do autoconhecimento ao mesmo tempo em que apresenta uma história sobre voltar para casa, e todas as coisas que “casa” pode significar. São esses questionamentos que levam o leitor pelas páginas de Amor(es) Verdadeiro(s).

Este é um livro diferente dos que já conhecemos da autora – bem mais romântico e com mais clichês do gênero – mas continua sendo uma leitura rápida e envolvente. Sua forma de contextualizar cenários e momentos, que se tornaria impecável em Daisy Jones & The Six e, principalmente, em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – seus romances de maior sucesso no mundo todo, inclusive aqui no Brasil – começa a se mostrar presente aqui.


É possível perceber Reid encontrando sua voz nas páginas deste livro e é muito interessante fazer essa leitura depois de ter passado por seus outros sucessos literários. Apesar de não poder comparar Amor(es) Verdadeiro(s) com a originalidade e perspicácia de seus dois sucessos seguintes, já bem mais maduros e bem maiores em todos os sentidos, nessa história de amor é possível ter um vislumbre da grande autora que ela viria a se tornar nos anos a seguir.


Em Amor(es) Verdadeiro(s), mesmo depois de passar por toda a leitura com a sensação de já ter visto algo parecido (na Sessão da Tarde, por exemplo), é possível encontrar algumas das melhores características de Taylor Jenkins Reid, sendo a principal delas a habilidade ímpar de criar personagens humanos, críveis e irresistíveis. A autora consegue dar vida a personalidades que poderiam muito bem pertencer a pessoas reais, que dividem os dias conosco.


A autora sabe muito bem o que faz quando apresenta um enredo ao seu leitor e sabe também como prendê-lo em suas páginas e conduzi-lo até o fim do livro. Seus livros são fáceis de ler e deliciosos de vivenciar, o que faz com que ela tenha se tornado uma autora para ficar de olho, mesmo em seus primeiros trabalhos, como é o caso desta obra.


Amor(es) Verdadeiro(s) traz uma bela lição sobre se apaixonar mais uma vez depois do luto e sobre amar duas pessoas ao mesmo tempo. A escritora reflete sobre o que faz uma pessoa se apaixonar por outra e sobre como esse amor de transforma ao longo do tempo. Por meio de Emma, vivemos as angústias e receios de uma mulher que teve sua vida virada de cabeça para baixo pela morte do marido apenas para precisar viver por um luto diferente logo depois.

Palavra final: Romance adocicado com sabor de comédia romântica que traz uma mensagem final bonita sem ser extraordinária. Bom para ler depois de conhecer do que a autora é capaz, e constatar sua evolução.
3.0
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: One True Loves
Dirigido por:
Data de lançamento: 24/04/2020
País de origem: Estados Unidos
Duração:
Gênero:
leia também:
    Mais lidas
Sobre nós
O Portal Popeek foi fundado em novembro de 2019 por amantes das culturas pop e geek, visando informar seu público sobre as novidades nos mundos do cinema, televisão, literatura e múisca, prezando sempre pela transparência e agilidade no trabalho.
E-mail:
[email protected]

Redes sociais:
Popeek © 2019 - 2020
Tema por Danielle Cabral