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João Pedro G. Tonioli
26.07.2020
16:00
Crítica | Netflix dá mais um grande passo em produções nacionais com “Boca a Boca”
Boca a Boca

Dia 17 desse mês, a Netflix deu mais um passo no que se refere a produções nacionais. E continua fazendo isso com grande qualidade. Até o momento, a plataforma conta com 12 produções nacionais originais, e “Boca a Boca” se destaca por ser uma das melhores delas.

Boca a Boca” se passa no interior de uma cidade de Goiás, até que um surto pandêmico surge na cidade. Uma doença que todos acreditam ser transmitida pelo beijo coloca os adolescentes dessa cidadezinha em choque. Enquanto alguns lutam para combater e prevenir a população sobre tal doença, outros acham que é apenas uma forma para botar pânico nos jovens.

Apenas pela sinopse da série, pode-se criar diversos paralelos com a realidade; e a própria série faz isso. Mesmo que a produção da série tenha começado a mais de um ano, é interessante notar como a realidade está bem sobreposta a ela, e agora, mais do que nunca. Claro que a doença abordada pela série é ‘mais fácil’ de ser controlada, pois se trata exclusivamente do beijo, mas a reação e a forma com que as pessoas encaram isso, é totalmente verossímil.

A série aborda, sobretudo, o universo adolescente, e o roteiro desenvolve isso, criando um universo único com reais problemáticas de adolescentes. Em certo momento, mesmo com a doença estando no auge e diversos jovens já terem morrido, vê-se também jovens criando brincadeiras, organizando festas, tudo o que propiciaria a doença a se alastrar mais. O uso de máscaras chega até a ser abordado dentro desse universo.

A produção da série também tem seus pontos altos. Uma ótima trilha sonora, que vai desde gêneros nacionais ao pc music, como também a produção visual da série, com cenas carregada de cores fortes que deixa tudo muito bonito e artístico no que se propõe. As atuações também não ficam para trás, tudo soa bem natural e os atores entregam tudo de forma interessante.

O trio principal composto por Caio Horowicz (Alex), Iza Moreira (Fran) e Michel Joelsas (Chico) é o famoso clichê de dois meninos e uma menina, mas ainda assim, eles trazem uma ótima química. Mas, além disso, o trio não se resume apenas a eles mesmos, cada um com seus dramas e histórias únicas.

A série também trata de forma muito natural a sexualidade de cada individuo, cada um vivendo da sua forma, se descobrindo. Mas nada se resume apenas a isso, está lá de forma simples e vai evoluindo através dos próprios personagens. Até os personagens LGBTQ+ tem seus dramas que não caem no clichê e isso é realmente muito importante quando se trata de produções nacionais.

Boca a Boca” foi criada por Juliana Rojas e Esmir Filho, ambos trabalharam juntos em “As Boas Maneiras“, um dos destaques brasileiros de 2017.

Talvez algumas conclusões possam soar apressadas, mas por se tratar de uma série de apenas 6 episódios de 30 a 40 minutos, dá para relevar. Devido às conclusões finais, pode-se esperar que a Netflix renove a série.

Palavra final: Através de dramas literalmente atuais, ótimas produções e abordagem de temas importantes, "Boca a Boca" consegue se destacar entre as produções nacionais da própria Netflix.
4.0
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Boca a Boca
Dirigido por: Esmir Filho e Juliana Rojas
Data de lançamento: 17/07/2020
País de origem: Brasil
Duração: 240 minutos
Gênero:
  • Ficção científica
  • Drama
  • Suspense
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