Evanna Lynch comenta polêmica de JK Rowling e a defende: ”Está do lado errado do debate, mas não perdeu a humanidade”

A atriz Evanna Lynch, famosa por interpretar Luna Lovegood na saga de Harry Potter, se posicionou em relação aos comentários transfóbicos da autora da saga, JK Rowling.

Durante o final de semana, a escritora se posicionou de maneira transfóbica em suas redes sociais e a polêmica repercutiu bastante na internet e os fãs ficaram muito decepcionados. Confira a declaração de Rowling:

””Pessoas que menstruam”. Tenho certeza que costumava haver uma palavra pra essas pessoas. Alguém me ajuda. Wumben? Wimpund? Woomud? (palavras que se referem à ”women”, ”mulheres” em inglês)

Se sexo não é real, então não existe atração do mesmo sexo. Se sexo não é real, a realidade vivida das mulheres globalmente é apagada. Eu conheço e amo pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo retira a habilidade de muitas de significativamente discutir suas vidas. Não é ódio falar a verdade.

A ideia de que mulheres como eu, que simpatizaram com pessoas trans por décadas e que sentem afinidade porque são vulneráveis de jeitos parecidos – por exemplo, quando sofrem violência de homens – , odeiam pessoas trans porque acham que sexo é real e tem consequências reais é sem sentido.

Eu respeito todos os direitos de pessoas trans de viver de qualquer maneira que se sintam confortáveis e autêntica para elas. Eu marcharia com vocês se fosse por terem sido descriminadas por serem trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi moldada pelo fato de eu ser mulher. Não acho que seja odioso falar isso.

Diante disso, ontem (08), Daniel Radcliffe se posicionou contra o pensamento de Rowling e pediu desculpas se alguém foi ofendido pelas declarações da autora. Hoje (09), foi a vez da atriz Evanna Lynch compartilhar seu posicionamento. A atriz fez isso por meio de seu Twitter. Evanna mencionou que estava de acordo com as opiniões que deveríamos apoiar a comunidade trans, mas se posicionou contra os ataques à JK Rowling e a ”cultura do cancelamento”. Veja:

“Eu queria ficar longe de comentar os tweets da J.K. Rowling, parece que é impossível abordar esses assuntos no Twitter, mas estou muito triste em ver pessoas trans se sentindo abandonadas pela comunidade de HP, então aqui vai o que penso:
Imagino que ser trans e aprender a se aceitar e se amar já é desafiador o bastante, e nós, como sociedade, não deveríamos acrescentar mais à essa dor. Se sentir como se você não se encaixasse ou não aceitassem quem você é um dos piores e mais solitários sentimentos que um ser humano pode experimentar, e eu não vou contribuir para que marginalizem ainda mais homens e mulheres trans. Eu aplaudo a imensa coragem que eles mostram em se aceitar e acredito que todos deveríamos escutar suas histórias, especialmente neste mês do Orgulho. Pessoalmente, não acredito que o Twitter seja o lugar correto para ter essa conversa muito complexa, e deveríamos estar lendo artigos e histórias, escutando podcasts e tendo conversas mais longas. Acredito que seja irresponsável discutir um tópico tão delicado no Twitter com pensamentos fragmentados, e eu desejaria que Jo não tivesse o feito.
Dito isso, como amiga e admiradora da Jo, não posso esquecer como ela é uma pessoa amável e generosa. Fico triste de ver as pessoas a reduzindo à seus tweets e ignorando seu incrível trabalho filantrópico e sua determinação para ajudar a humanidade. Eu vejo que ela ainda luta por pessoas vulneráveis. Eu discordo de sua opinião que mulheres cis são a minoria mais vulnerável nessa situação e acredito que ela está do lado errado do debate. Mas isso não significa que ela perdeu completamente sua humanidade. Neste momento, minhas Menções são uma corrente constante e tóxica de pessoas se insultando e se agredindo. Precisamos romper com o ciclo de bullying e culpa. Em meio a tudo isso, não consigo parar de pensar em uma mulher que, há apenas alguns meses, foi intimidada e envergonhada publicamente pela mídia e por estranhos online, e tirou sua própria vida e como nós paramos e dissemos: “Se você puder ser qualquer coisa nesse mundo, seja gentil”. Onde está essa gentileza desesperadamente necessitada agora??? Só vale para pessoas que concordamos? Eu não acredito que a “cultura do cancelamento” é saudável para qualquer um de nós. Na realidade, acredito que seja uma aproximação muito rasa, dolorosa e irreal de abordar questões humanas. Como um amigo me disse nessa manhã: “Se abandonarmos todos nossos amigos ‘diferentes de nós’ para trás, nós apenas criamos mais uma câmara de eco que não resulta em nenhuma mudança ou melhoria para o mundo. Nós precisamos de ser amigos daqueles que têm visões diferentes para que possamos ajudar a partilhar e entender mais’. Eu entendo que os pensamentos de J.K. são bastante dolorosos para muitos, e que como mulher cis eu não consigo compreender completamente essa dor singular e que deve ser mais fácil para alguém como eu pedir aos outros para serem gentis. Eu acho que vocês deveriam ter seus limites: bloquear e seguir em frente. E guarde sua energia para os que você ama e para seu trabalho. Mas eu acredito que as vítimas de opressão podem se curar melhor disso se não carregarem a energia dos opressores adiante para intimidar ou odiar pessoas do outro lado do debate.
Eu sei muito bem como é se sentir consolado e ter senso de pertencimento, uma sensação de “você não é muito estranho para se encaixar aqui”, por causa de Harry Potter e o quão importante essa influência era em me ajudar a me aceitar melhor como uma pessoa jovem. Eu sinto muito pelas pessoas trans que sentem que isso lhes foi tirado e que essa comunidade não é mais aquele lugar seguro. Mas o mundo/fandom/comunidade de Harry Potter é feita, literalmente, de milhões de pessoas agora, e eu, pelo menos, irei trabalhar para faze-la parecer mais inclusiva porque mulheres trans são mulheres.
Eu também acredito que nós todos deveríamos estar em terapia, e não no Twitter tirando pedaços um do outro. Espero que todo mundo esteja tomando certo distância das redes sociais e priorizando sua saúde mental durante esse tempo já desafiador, onde muitos de nós estão isolados daqueles que amamos, porque é muita coisa, e não acredito que vá ser resolvido aqui. Nós precisamos fazer o trabalho interior. Estou mandando meu amor especialmente para toda a comunidade trans agora. Pessoalmente, de todas essas discussões, eu cheguei à percepção que eu preciso ser uma ativista ainda mais interseccional ao invés de só focar em veganismo, e estou me empenhando nessa evolução hoje. Por enquanto, eu não irei levar adiante essa conversa no Twitter e estarei offline aprendendo à ouvir melhor.”

E aí, o que acharam?

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