Em carta, funcionários da Disney dizem que empresa censura personagens LGBTQIA+ em seus filmes
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Maurício Junio
10.03.2022
13:34
Em carta, funcionários da Disney dizem que empresa censura personagens LGBTQIA+ em seus filmes
Em resposta ao tom amenizador do CEO da empresa em relação a lei LGBTfóbica aprovada da Flórida, funcionários reagiram contra o chefe.

Em carta interna feita por funcionários da Disney e acessada pela Variety mostra que a empresa censura cenas de afeto entre pessoas do mesmo sexo e de personagens LGBTQIA+ em seus filmes. O texto afirma que foram solicitados cortes de “quase todos os momentos de afeto abertamente gay, a despeito de protestos dos times criativos e da liderança da Pixar“.

Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diversos, voltando de críticas corporativas da Disney raspadas em migalhas do que antes eram“, diz a carta. “Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo.

Até o momento, a Pixar incluiu apenas alguns pequenos personagens LGBTQIA+ em seus longas-metragens, como no filme “Onward“, que apresenta uma policial ciclope chamado Specter, dublado por Lena Waithe. A sexualidade da personagem só é reconhecida de passagem, quando Specter diz: “Não é fácil ser um novo pai – a filha da minha namorada me fez arrancar meu cabelo, ok?“. Mas o filme ainda foi banido no Kuwait, Omã, Catar e Arábia Saudita devido à cena, e na versão lançada na Rússia, a palavra “namorada” foi alterada para “parceira”.

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A carta dos funcionários também exige que a Disney retire o apoio financeiro de todos os políticos que apoiaram o projeto de lei “Não Diga Gay” e “tome uma posição pública decisiva” contra a legislação e projetos de lei como esse em outros lugares dos Estados Unidos. O projeto de lei “Não Diga Gay” prevê que as escolas do Estado do Sol sejam proibidas de trabalhar sobre sexualidade e identidade de gênero com seus alunos. Caso descumpra a lei, os professores podem ser processados pelo Estado.

Em carta enviada aos funcionados da Disney, o CEO Bob Chapek minimizou as ações da empresa para que a lei fosse aprovada e disse que o “maior impacto” que a empresa pode causar “na criação de um mundo mais inclusivo é através do conteúdo inspirador que produzimos“.

Em resposta à reunião, os funcionários da Pixar afirmaram que, “embora a assinatura para doar à HRC [Campanha de Direitos Humanos] seja um passo na direção correta, a reunião de acionistas na quarta-feira deixou claro que isso não é suficiente. A Disney não tomou uma posição dura em apoio à comunidade LGBTQIA+, em vez disso tentou aplacar ‘ambos os lados’ e – não condenou mensagens odiosas compartilhadas durante a parte de perguntas e respostas da reunião.

Representantes da Disney e da Pixar ainda não comentaram sobre a carta feita por seus funcionários.


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