Criador de "O Clube das Winx" diz que ainda pretende explorar a história das Trix
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João Pedro G. Tonioli
08.06.2021
20:56
Criador de “O Clube das Winx” diz que ainda pretende explorar a história das Trix
Trix

Iginio Straffi, o criador de “O Clube das Winx” deu uma entrevista para a revista Polygon nessa segunda-feira (07), onde falou sobre sua batalha para fazer a animação acontecer e sobre seus planos com o futuro dos projetos sobre seu principal produto. Além de outras produções sobre as fadas principais, ele também tem grandes planos para as Trix, as grandes vilãs do desenho.

O criador da série e fundador do estúdio Rainbow S.p.A. contou que desde o início, seu principal foco era fazer um desenho que fosse sobre meninas e para meninas, indo contra a onda de desenhos majoritariamente masculinos. Por conta disso, a maioria das pessoas e dos estúdios não acreditavam em sua ideia, atrapalhando seu nascimento.

“O mercado não estava a favor, para ser sincero, na época, porque os compradores me diziam que muitas meninas agora assistiam a live-actions infantis. Coisas da Disney como Lizzie McGuire e alguns outros seriados da Nickelodeon eram populares. Achei que realmente não era o caso. Achei que precisávamos ter heroinas, não apenas em sitcoms, mas com poderes em um mundo de fantasia com o qual as garotas pudessem se identificar e querer ser uma delas. E então eu realmente lutei por essa ideia” disse Iginio.

O programa então acabou estreando na Itália em 2004 e foi distribuído para os Estados Unidos pela 4Kids, que lidava com desenhos animados importados. Na época, o canal também transmitia “Pokémon“, “Yu-Gi-Oh!” e “Tartarugas Ninjas“, então, Winx tinha um diferencial que a destacava das demais. E no fim, Iginio estava completamente certo: as meninas amaram “O Clube das Winx“, o que fez o show durar muito mais do que as quatro temporadas programadas. Em 2011, a ViacomCBS comprou sua produtora Rainbow e começou a coproduzir a animação. Em 2012, um programa reiniciado foi lançado, voltado para um público mais jovem, na Nick Jr., e em 2021 foi lançado sua primeira versão live-action pela Netflix com foco no público mais adulto que cresceu com o show inicial.

Atualmente, pode ser mais usual ver programas protagonizado exclusivamente por meninas e com seu público-alvo também voltado para meninas, mas na época, eram raras as exceções, como “She-Ra” e “As Meninas Superpoderosas“.

“Você pode pensar que isso é algo muito comum agora porque temos muitas heroínas e elas são mais fortes do que os meninos e os homens. Mas acredite em mim, 20 anos atrás, quando estávamos lançando Winx pela primeira vez… não era tão óbvio ter personagens femininas que estavam no controle de seu destino, de suas vidas, independentes com suas próprias personalidades e todas as coisas que ‘O Clube das Winx’ é.”

Iginio diz que desde o início sua ideia era tornar o show único. Ele queria que o show se concentrasse em fadas, mas não nas fadas geralmente representadas em produções, que eram apenas mulheres com varinhas, ele queria inseri-las em uma cultura mais contemporânea. E desde então, ele e sua produtora trabalharam incansavelmente para elas existirem, chegando a descartar um piloto quase pronto.

Um ponto que muito chama a atenção no show é a constante troca de roupa das personagens. Elas vestiam roupas fashion e da moda a medida que o ambiente e o contexto pedia. Com isso, o criador explica que raramente shows optavam por uma variedade de roupas para os personagens devido ao seu alto custo de produção, mas ele acreditava que aquelas trocas deveriam fazer parte da essência de cada personagem, pois são adolescentes.

“Elas são adolescentes – na escola, elas se vestem de forma diferente do que quando estão praticando esportes ou quando estão saindo para tomar uma bebida, ou quando vão para a praia, ou para esquiar, ou qualquer outra situação. Achei que poderíamos estar muito na moda no desenho animado, e é por isso que contratei estilistas de verdade para desenhar o guarda-roupa delas.”

O conceito de moda de Winx ultrapassou o limite da animação e em 2010, as fadas foram escolhidas para representar a Itália na Expo Mundial. Por conta dessa marcante característica, Iginio pareceu estar um pouco decepcionado com o figurino das personagens na adaptação da Netflix, dizendo que poderiam ser melhores e que serão melhores na segunda temporada. Ele também disse tinha algumas dúvidas quanto à escolha da Irlanda como local de filmagens da série por ser pouco chuvosa, mas que no final ficou satisfeito com a forma que Alfea foi criada e o ambiente ao seu redor. O fato de ser na Irlanda também fez com que a Rainbow não ficasse tão envolvida no projeto quanto seu criador gostaria, deixando a maioria das decisões importantes com a Netflix. “Eu gostaria que fosse mais. Porque esses são nossos bebês.”

Constantemente, “O Clube das Winx” é comparado e rivalizado com “W.I.T.C.H.“, animação da Disney que traz o mesmo conceito de cinco estudantes com poderes mágicos. Ambas estrearam em 2004, contudo os quadrinhos em que “W.I.T.C.H.” se baseia, foi publicado um pouco antes. Na época, a Disney Itália notou as semelhanças entre ambos e acabou processando a produtora Rainbow. Apesar de tudo, o show da Disney acabou em sua segunda temporada, enquanto o programa de Iginio vem ganhando novas produções até os dias atuais.

Eles tentaram iniciar um litígio realmente sem fundamento”, diz Iginio. “Foi por isso que perderam imediatamente, com muita indenização do juiz. Provamos que tínhamos um contrato com nosso produtor de dois a três anos antes que o primeiro quadrinho [W.I.T.C.H.] aparecesse no quiosque italiano. Realmente não havia chance.

A produtora Rainbow vem trabalhando em colaboração com a Netflix nos últimos anos. Não apenas com “World of Winx“, projetado para um público mais jovem, mas também “44 Cats“, outro programa animado de Iginio. Esta parceria permitiu que o criador da animação realizasse o seu sonho de longa data: a série live-action. Contudo, ele ainda tem grandes sonhos para esse universo das fadas. Iginio quer um filme teatral e também quer explorar as Trix, as três irmãs bruxas que são as maiores rivais e vilãs das fadas. Ainda não se sabe se as Trix aparecerão futuramente na série live-action, mesmo sendo um grande pedido dos fãs, mas elas ainda terão algo seu.

As gravações da segunda temporada de “Fate: A Saga Winx” deverá começar em breve na Irlanda. Uma previsão de lançamento ainda não foi divulgada.


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