Crítica | Final da 4ª temporada de "Stranger Things" é digno, mas sem a ousadia prometida
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Maurício Junio
03.07.2022
17:37
Crítica | Final da 4ª temporada de “Stranger Things” é digno, mas sem a ousadia prometida
Dois episódios finais de "Stranger Things" preenchem a lacuna de um desfecho épico, em escala de produção, mas é covarde em sua narrativa.

O mês de junho foi longo para os fãs de Stranger Things. Neste meio tempo, todos aqueles que estavam ansiosos para os dois episódios da quarta temporada esperavam por respostas enquanto eram bombardeados por teorias criadas por fóruns de internet e com os Irmãos Duffer, produtores da série, atiçando a curiosidade de todos em suas várias entrevistas. Era como se eles estivessem prometendo um desfecho ousado, cheio de surpresas e que pulasse fora da zona de conforto que a série parece estar inserida. O resultado final cumpre parte das promessas, mas a ousadia não passa de promessas que foram feitas – e ficaram – nas redes sociais. (Confira o trailer aqui)

[ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS]

Nesta quarta temporada, ou pelo menos no Volume 1, Stranger Things parecia se comprometer com o horror que estava começando a trabalhar em seus personagens. Eram personagens densos, com sequencias aterrorizantes e que finalizou prometendo um desfecho ainda mais tenso. De fato, são dois episódios – que juntos, totalizam quatro horas de conteúdo inédito – que preenchem a lacuna de um desfecho épico, em escala de produção, que prometeu, mas covarde em sua narrativa.

Não é como se matar personagens signifique que você está criando uma trama ousada e revolucionária, mas poupá-los para que fiquem a mercê dentro da trama acaba soando… perca de tempo. E nem se trata do desfecho de Steve, Max e os outros personagens jovens. Trata-se de Hopper. Neste quarto ano, a série o acompanha tentando escapar de uma prisão na União Soviética, em uma trama paralela que não acrescenta em absolutamente nada para a narrativa principal. Ela existe, apenas e sem qualquer exceção, para justificar o fato do personagem ter sobrevivido no final da 3ª temporada, mas não funciona.

O que é uma pena, já que Winona Ryder e David Harbour ficam sem muita utilidade aqui e ambos são ótimos. Quando os Irmãos Duffer apostam mais uma vez numa trama protetiva aos seus personagens principais neste final de temporada, a pergunta que fica é como tudo isso será abordado na temporada final, que precisa finalizar todos os seus arcos narrativos enquanto lida com as dezenas de personagens. Será que Max vai ter o mesmo desfecho de Hopper?

Venhamos e convenhamos que, por mais que decepcione um pouco, não é uma grande surpresa. Para quem acompanha e gosta da série, o final de temporada cumpre mais do que o esperado. É divertido ao mesmo tempo que impressiona por sua produção caríssima e seu elenco sempre em sincronia, tudo muito bem articulado com uma direção inspirada e um texto, como dito, nada impressionante, mas bom. Quando analisado como obra, tudo está no seu devido lugar. Quando analisado como produto – este produto revolucionado que os produtores insistem em criar, apenas, nas entrevistas – deixa a desejar. Vai do público saber o que esperar.

Entre os acertos destes dois episódios, tem Millie Bobby Brown que volta a se destacar após alguns episódios em baixa; Sadie Sink continua sendo um grande nome no elenco, e seu carisma é fundamental para que o clímax destes episódios funcionem; Matthew Modine e sua participação final, com uma construção de personagem muito interessante e que, graças a ele, consegue ir um pouco além de um vilão caricato; e, por último, o trabalho de voz de Jamie Campbell Bower como Vecna, o grande destaque de sua carreira.

Nos seus minutos finais, Stranger Things entrega aos fãs um momento que todos podem respirar aliviados, mas tudo muda rapidamente. A ameaça se torna ainda maior e com várias perguntas em aberto para a próxima temporada, que será a última. Se a série vai conseguir finalizar de forma digna para a grande escala que promete… vamos ter que esperar. De novo.

Palavra final: De certa forma, os episódios finais da 4ª temporada de "Stranger Things" são divertidos ao mesmo tempo que impressionam por sua produção caríssima e seu elenco sempre em sincronia, tudo muito bem articulado com uma direção inspirada e um texto, como dito, nada impressionante, mas bom.
3.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Stranger Things - 4ª Temporada (Volume 2)
Dirigido por: Irmãos Duffer
Data de lançamento: 1 de julho de 2022
País de origem: Estados Unidos
Duração: 240 minutos
Gênero:
  • Fantasia
  • Terror
  • Ação
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