Crítica | “Daisy Jones and The six”: sobre música, amor e outras drogas
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Bianca Paim
05.11.2020
09:52
Crítica | “Daisy Jones and  The six”: sobre música, amor e outras drogas
Vemos a capa do livro Daisy Jones & The Six, onde há um rosto feminino envolto em seus cabelos sob um filtro colorido e sobre ele se lê o título da história.

Todo mundo conhece Daisy Jones & The Six. Nos anos setenta, dominavam as paradas de sucesso, faziam shows para plateias lotadas e conquistavam milhões de fãs. Eram a voz de uma geração, e Daisy, a inspiração de toda garota descolada. Mas no dia 12 de julho de 1979, no último show da turnê Aurora, eles se separaram. E ninguém nunca soube por quê. Até agora.
Esta é história de uma menina de Los Angeles que sonhava em ser uma estrela do rock e de uma banda que também almejava seu lugar ao sol. E de tudo o que aconteceu — o sexo, as drogas, os conflitos e os dramas — quando um produtor apostou (certo!) que juntos poderiam se tornar lendas da música.

“Vou te falar uma coisa: jamais duvide de Daisy Jones”

Neste romance inesquecível narrado a partir de entrevistas, Taylor Jenkins Reid reconstitui a trajetória de uma banda fictícia com a intensidade presente nos melhores backstages do rock’n’roll.

O livro narra a trajetória de uma banda fictícia entre os anos 1960 e 1970, desde sua ascensão à sua até então misteriosa ruptura. Dizendo assim, Daisy Jones & The Six parece não ter muitos atrativos, mas o diferencial da história não está em sua premissa, e sim na maneira como é contada.

Em primeiro lugar, a narrativa toda é um compilado de depoimentos dos personagens, que estão sendo entrevistados muitos anos após o término da banda. Assim, além da leitura em si ser extremamente fluida por conta disso, ela se torna mais interessante por fugir do padrão narrativo e por, também, revelar as nuances e características dos personagens e de próprios discursos do tipo — é muito fácil encontrar informações conflitantes entre o que é dito, já que cada elocução está sujeita a uma perspectiva particular de cada assunto, bem como sofre com a ação do tempo e da memória de cada personagem.

“É isso o que todo mundo quer da arte, não? Ver alguém expor os sentimentos que existem dentro de nós. Arrancar um pedaço do seu coração e mostrar para você.”

Depois, a habilidade de escrita de Taylor Jenkins Reid é tanta que ela, não só envolve o leitor em um piscar de olhos, quanto constrói a história, os conflitos e as personagens com uma maestria digna de se tirar o chapéu. Foi impossível não me apaixonar pelos integrantes da banda e não me encantar especialmente pelas figuras femininas. Suas personalidades são tão marcantes e tocam em temas tão relevantes — como sororidade, maternidade, empoderamento, entre outros — que, embora a história esteja acontecendo algumas décadas no passado, a mensagem conversa perfeitamente com nossos dias atuais.

“Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos.”

E não apenas cada persona foi bem delineada, mas a forma de como os conflitos foram trabalhados. Aos poucos e sem que o leitor perceba, Taylor Jenkins Reid vai criando uma teia de conflitos que, quando percebemos, estamos tão envolvidos neles quanto os personagens e sofremos com todas as reviravoltas que o livro traz. Fiquei sem fôlego em diversos momentos e boquiaberta com algumas das revelações — que prefiro não comentar absolutamente nada a respeito para que seja tão impactante aos demais leitores quanto foi para mim.

A verdade é que  Taylor Jenkins Reid criou uma história tão sincera e intensa que transborda emoção em cada página, mesmo que não seja essa a impressão inicial. Terminei a leitura encarando sentimentos que eu não sabia se eram meus ou das personagens e tenho certeza de que esse foi um dos melhores livros que li no ano, daqueles que levarei comigo para sempre. Vale ressaltar que o processo de construção do álbum da banda é tão incrível que minha única tristeza em relação ao livro foi a de não poder ouvir as músicas criadas — cujas letras, felizmente, a autora disponibiliza ao final do romance.

A trama resumo com detalhes o cenário do rock nos anos 70 no auge do clichê de sexo e drogas e nos mostra como a fama instantânea pode ser assustadora. Os personagens lutam com os conflitos de conciliar o sentimento de estar no topo do mundo ao de ter uma vida e um amor normal. A escrita de Tylor Jenkins Reid é simplesmente viciante nessa história que nos mostra como – por mais lindo e delicado que seja – o amor é capaz de criar e curar o caos.

Palavra final: A profundidade e tridimensionalidade que a autora consegue imprimir em seus personagens é indiscutivelmente surpreendente, mesmo suas falhas são fascinantes. Ainda que não seja possível ver as fotos e ouvir suas músicas, ao final dessa leitura conhecemos e somos fãs de Daisy Jones & The Six.
4.9
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Daisy Jones and The Six
Dirigido por:
Data de lançamento: 05/03/2019
País de origem: EUA
Duração:
Gênero:
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