Crítica | "Elite" abraça a mediocridade em temporada que não tem muito a dizer
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Maurício Junio
13.04.2022
12:52
Crítica | “Elite” abraça a mediocridade em temporada que não tem muito a dizer
Mesmo divertida, 5ª temporada de Elite é medíocre em seu texto, não valoriza seu elenco e não tem muito a dizer.

Com o tempo e após cinco temporadas, uma coisa está claro para todos: o público de Elite não espera muita coisa da série. Apenas jovens se divertindo, cenas picantes e uma trama boba, mas interessante de acompanhar. Assim como, por exemplo, os espectadores de séries da CW não esperam muita coisa dos efeitos visuais usados nas séries da DC Comics, como Supergirl. Mas eis um fato que nenhum produtor, diretor ou roteirista de Elite parece levar em consideração quando se pensa nisso: o público não esperar a série mais revolucionária do mundo não significa que ele mereça a mediocridade.

Em sua quinta temporada, Elite parece sofrer de alguns problemas que facilmente seriam corrigidos por um time de roteiristas mais dedicado a fazer algo minimamente bom com o material que tem em mãos – que, mesmo sendo genérico, funciona; basta olhar para as três primeiras temporadas. É um conglomerado de tramas sem qualquer profundidade narrativa, com decisões e plot twists sem muita lógica ou coerência dentro da trama, e com um elenco que se esforça demais para fazer com que isto seja, no mínimo divertido. (Confira o trailer aqui)

E, se tem algo que ninguém consegue negar, é que Elite realmente é uma série divertida de assistir. O elenco é tão carismático que a química que todos tem entre si é mais do que suficiente para fazer com que os oito episódios sejam consumidos sem esforço algum, mas que também acaba sendo um demérito da produção, tão vazia em conteúdo que o público sem parece se cansar ao ponto de pausar um episódio e respirar antes de embarcar em mais um.

É uma pena que um elenco tão bom tenha que trabalhar com um texto tão desleixado. Adam Nourou entra no time de elenco como Bilal, um jovem pobre e negro cuja única personalidade dentro da trama é roubar e ser homofóbico. O brasileiro André Lamoglia é uma boa adição no elenco e consegue colocar emoção em suas cenas ao lado do apático Manu Rios. Valentina Zenere é energética como Isadora, mas o texto não contribui para que ela seja mais do que uma nova versão de Carla (Ester Expósito). Nenhum deles com material bom o suficiente para fazer Elite sair do seu marasmo.

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E não faltaram oportunidades: uma trama de descoberta sobre um jovem (Ivan, personagem do Lamoglia) se descobrindo bissexual, um jogador de futebol renomado (Cruz, interpretado por Carloto Cotta) que reprime sua sexualidade com medo de boicote dentro da profissão, a redenção de um jovem acusado de abuso sexual que é feita sem qualquer cuidado (Philippe, personagem de Pol Granch) e uma jovem com vicio em drogas, problemas familiares e num impasse sobre ab*so sexual (Isadora, personagem da Zenere). Tudo isso trabalhado na mediocridade e com a complexidade de um pires.

Não é como se Elite estivesse dentro de um buraco de minhocas sem salvação. Com o mínimo de empenho de seus escritores, algo bom ainda consegue ser extraído dali. Eles só não entendem que ninguém se importa mais com o mistério do “quem matou” pela quinta vez em menos de cinco anos; ninguém aguenta mais ver o erotismo sendo usado como lacuna para preencher a falta de qualidade do roteiro (abro um parêntese: não é que o erotismo da série seja um problema, até porque são sequencias muito bem filmadas e elegantes. O erotismo também não foi um problema nas primeiras temporadas, a diferença é que a série parecia ter algo a dizer naquela época); e ninguém aguenta mais ver um elenco promissor sem material bom o bastante para trabalhar. Elite continua divertida, mas não é o suficiente.

Palavra final: "Elite" tenta repetir o mesmo caminho de suas primeiras temporadas, introduz novos personagens e permanece divertida e com seu erotismo elegante. Porém, em um roteiro medíocre e que não valoriza o ótimo elenco que tem em mãos.
1.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Elite (5ª Temporada)
Dirigido por: Darío Madrona, Carlos Montero
Data de lançamento: 8 de abril de 2022
País de origem: Espanha
Duração: 50 minutos por episódio
Gênero:
  • Drama
  • Romance
  • Suspense
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