Crítica | "MONTERO" explora a fragilidade e ousadia de Lil Nas X
×
Maurício Junio
20.09.2021
20:19
Crítica | “MONTERO” explora a fragilidade e ousadia de Lil Nas X

Lil Nas X é o momento, e se você discorda, talvez não esteja acompanhando as redes sociais e o mundo pop como deveria. Após explodir em 2019 com o hit mundial “Old Town Road”, que Phoebe Bridgers definiu como “a primeira música rap-country da história” em “I Know The End”, o artista retorna com o seu primeiro álbum de estúdio, “Montero”. Mas muita coisa aconteceu neste meio tempo, do primeiro sucesso até o primeiro disco: Lil Nas X se assumiu gay e mudou completamente o rumo de sua carreira, ganhou Grammys e se tornou ainda mais popular. Finalmente sendo quem realmente é publicamente, ele nos permite que o conhecemos por completo.

E “Montero” talvez engane o ouvinte em uma primeira impressão. Os dois primeiros singles, “MONTERO (Call Me By Your Name)” e “INDUSTRY BABY”, são canções que mesclam entre pop, rap e R&B sem nenhuma dificuldade, fazendo delas hits instantâneos. Mesmo com momentos que remetem às músicas citadas, como “THAT’S WHAT I WANT”, o disco vai além disso. O trabalho completo nos permite admirar a pessoa por trás da persona: o embate interno de um jovem ambicioso e assustado com a fama, que tenta sempre ser otimista e ignorar os ataques que sofre, mas sabe que nem sempre é fácil como parece. O fato de ser um homem negro se assumindo gay dentro de uma indústria conservadora e preconceituosa só contribui para que Lil Nas seja ainda mais honesto com sua arte.

Dito isso, faz muito sentido que o álbum seja intitulado com o seu nome de batismo. Lil Nas X encontra a si mesmo num trabalho não apenas pronto para ser sucesso nas paradas musicais, mas para apresentar ao mundo quem ele realmente é. E se aprendemos algo nestes últimos anos com Montero, foi que ele pode ser muitas coisas. Um provocador jovem que vai do céu ao inferno, um libertador de presos por serem gays e um homem desesperado pelas respostas daquilo que não pode ser explicado em “VOID“, um dos grandes momentos do disco: “Preso neste mundo onde a tanto para provar / E onde cada vitória lhe dá mais espaço para perder“, canta ele, em uma música que destaca seus vocais e sua composição.

Genial ainda é o fato de Lil Nas X falar tanto a quem te escuta e mesmo assim encontrar tempo para se divertir, e suas parcerias com Doja Cat e Megan Thee Stallion prova isso. “INDUSTRY BABY”, ao lado do ótimo Jack Harlow, talvez seja a grande parceria do disco. Elton John acompanha o piano da melancólica “ONE OF ME”, e Miley Cyrus encerra o disco com a linda balada “AM I DREAMING”, provando que, assim como Montero, ela está no melhor momento de sua carreira.

E para um disco que quer tanto explorar quem Lil Nas X realmente é, a aposta em selecionar poucos produtores em comparação com outros grandes álbuns de rap recém-lançados mostra ser uma escolha certeira. Take a Daytrip, que trabalhou com o rapper em “Panini” e “Rodeo“, dois outros hits do EP “7“, de 2019, finalmente parece compreender sua estrela. Os grandes momentos aqui são quando ele deixa com que a voz de Montero se sobressaia de sua produção, e isso acaba lhe dando energia para fazer seu trabalho.

O fato de se estender por mais canções que deveria não tira o brilho de “Montero“. Aqui, Lil Nas X entrega um álbum de estreia admirável, muito superior ao EP “7”, lançado em 2019. Se com um EP ruim ele foi capaz de dominar o planeta, é difícil saber o que esperar agora que ele entregou um dos grandes discos do mainstream de 2021. E mais um fato pode ser dito: Lil Nas X está aqui, dominando tudo que for possível e, dificilmente, vai embora. Polêmico, divertido, com um trabalho visual irretocável e se amadurecendo musicalmente cada vez mais, eis a diva pop que o mundo tanto precisava. E precisamos chamá-lo por seu nome!

Palavra final: Lil Nas X está aqui, dominando tudo que for possível e, dificilmente, vai embora. Polêmico, divertido, com um trabalho visual irretocável e se amadurecendo musicalmente cada vez mais, eis a diva pop que o mundo tanto precisava. E precisamos chamá-lo por seu nome!
4.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original:
Dirigido por:
Data de lançamento: 17 de setembro de 2021
País de origem: Estados Unidos
Duração: 41 minutos
Gênero:
leia também:
    Mais lidas
Sobre nós
O Portal Popeek foi fundado em novembro de 2019 por amantes das culturas pop e geek, visando informar seu público sobre as novidades nos mundos do cinema, televisão, literatura e múisca, prezando sempre pela transparência e agilidade no trabalho.
E-mail:
[email protected]tmail.com

Redes sociais:
Popeek © 2019 - 2021
Tema por Danielle Cabral
-