Crítica | "Love, Victor" amadurece seus temas e desenvolve seus personagens em ótima 2ª temporada
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Maurício Junio
13.06.2021
19:14
Crítica | “Love, Victor” amadurece seus temas e desenvolve seus personagens em ótima 2ª temporada
Em sua nova temporada, "Love, Victor" gasta o tempo necessário para desenvolver os dramas de seus personagens e amadurece suas temáticas.

Quando foi lançada, em junho de 2020, “Love, Victor” tinha como objetivo expandir um universo cinematográfico inspirado nas obras de Becky Albertalli. Inspirado livremente no filme “Com Amor, Simon” e no livro de Albertalli a série apresentou novos personagens em um ambiente já conhecido pelos fãs: mesma escola, mesma cidade, mesmos dramas. Porém, com o passar dos episódios, a trama de Victor se tornou mais madura e ousada, audaciosa em alguns momento e com pontos extremamente positivos. Neste segundo ano, ela se torna ainda melhor, mesmo que seus objetivos tenham mudado com o tempo.

Alguns meses se passaram, e o relacionamento de Victor e Benji continua sério. Porém, problemas surgem. Os pais de Victor sentem uma pressão em aceitar a sexualidade do filho, o que interfere diretamente na relação dele com o namodado; no outro lado do relacionamento, alguns problemas pessoais surgem, colocando em cheque a durabilidade desta relação. Só que, além dos problemas, Victor e Benji estão focados em se descobrirem como pessoas e parceiros, e o que agrada o outro – em todos os sentidos. (assista ao trailer clicando aqui)

Comparando com a temporada anterior, existe uma evolução clara nos temas tratados aqui. Não se trata apenas de uma série sobre adolescentes apaixonados. “Love. Victor” leva seus debates para um outro nível de seriedade, saindo da bolha de aceitação que já foi abordada centenas de vezes no cinema e na televisão. Lógico que, à primeira vista, talvez esta seja a impressão que a série passe ao espectador, mas ela te convence que vai além disto em pouco tempo. Nesta nova temporada, alguns temas sérios são abordados, como a argumentação religiosa sobre sexualidade, vivências sociais divergentes e como isto pode interferir num relacionamento, dramas familiares sobre o que é prioridade e problemas psicológicos – sendo este último um dos pontos mais positivos deste novo ano.

Só que nem tudo é seriedade aqui. Nos dez episódios, “Love, Victor” entende seu público alvo e trata de temas simples, porém importantes, para aqueles que lhe assistem. Os dramas sobre a primeira noite de amor com a pessoa amada – com direito a um episódio inteiro sobre sexo, que seria basicamente impossível caso a série fosse exibida no Disney+, como era inicialmente planejado -, amizades e, claro, o habitual drama sobre aceitação. Porém, mesmo acertando em suas abordagem temáticas, a série parece estar presa em uma ideia de que não pode se levar a sério como deveria, simplesmente por ser uma produção jovem-adulto. Seu roteiro convence e agrada, mas tem-se aqui uma produção que poderia ir muito além de simplesmente agradar seu público.

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Sua direção está tão confortável em uma formula de sitcom com 30 minutos de duração que não percebe a responsabilidade de seu texto. Críticos escreveram textos – inclusive este que vos escreve – ressaltando como certa obra é boa por “não se levar a sério demais“. Eis aqui a obra que merecia a situação oposta, ou quase isso: “Love, Victor” é boa por não se levar a sério demais, mas poderia ser excelente se fosse um pouco mais madura, sem subestimar que seu público não acompanhará suas mudanças de tom.

Indo um pouco além, todas estas discussões acontecem com maestria graças ao elenco extremamente sincronizado e talentoso. Michael Cimino se segura como protagonista, mas a abertura que o roteiro dá para seus coadjuvantes fazem com que outras pessoas brilhem dentro da trama. Anthony Turpel continua sendo um grande achado com seu Felix, extremamente carismático, mas em um roteiro que o leva a ser algo além do amigo engraçado; e, junto a ele, Betsy Brandt é adicionada ao elenco como sua mãe, com o melhor plot da temporada. Ana Ortiz brilha com Isabel, em um plot sobre o processo de aceitação de Victor, sem jamais soar forçada ou desproporcional ao que o roteiro deseja dela. Rachel Hilson, como Mia, que aproveita cada segundo em tela que possui para brilhar. E, por último, Anthony Keyvan com Rahim, novo personagem com qualidades suficientes para ter uma série própria.

Love, Victor” está aqui, pronta para ir em direção ao próximo degrau. Em sua nova temporada, gasta o tempo necessário para desenvolver os dramas de seus personagens – dando um pouco mais de destaque aos seus coadjuvantes – e amadurece suas temáticas. Mesmo que o tom de sua direção não acompanhe o roteiro, faz bonito em ser superior à temporada anterior, provando ser necessária e divertida, se tornando uma ótima opção para quem quer se divertir. É extremamente prazeroso ser inserindo neste mundo adolescente, e isso faz com que seus problemas sejam meros detalhes. Sobre o próximo capítulo, a série deixa um gancho gigantesco para os novos episódios; só resta saber se estamos prontos para eles.

Palavra final: "Love, Victor" está aqui, pronta para ir em direção ao próximo degrau. Em sua nova temporada, gasta o tempo necessário para desenvolver os dramas de seus personagens - dando um pouco mais de destaque aos seus coadjuvantes - e amadurece suas temáticas.
4.0
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Love, Victor
Dirigido por: Isaac Aptaker e Elizabeth Berger
Data de lançamento: 11 de junho de 2021
País de origem: Estados Unidos
Duração: 30 minutos por episódio
Gênero:
  • Drama
  • Comédia romântica
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