Crítica | Extremamente político, "Os 7 de Chicago" é um filme bastante atual
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Maurício Junio
14.10.2020
22:45
Crítica | Extremamente político, “Os 7 de Chicago” é um filme bastante atual
Novo filme de Aaron Sorkin, Os 7 de Chicago é uma obra política, atual e necessária, com Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne no elenco.

Aaron Sorkin é responsável por escrever o roteiro de um dos melhores filmes dos últimos tempos: A Rede Social. É complicado escrever qualquer texto sobre qualquer obra sua sem citar seu trabalho mais requintado e aclamado, e com razão. Suas habilidades com diálogos e desenvolvimento de narrativa são admiráveis, e podemos ver isto em Os 7 de Chicago, mas qualquer filme comparado à obra-prima de sua carreira soa falho. Então, mudemos o rumo desta conversa.

Aqui, Sorkin assume a direção e o roteiro de um conto sobre o julgamento dos “sete“, um grupo de manifestantes que entraram em confronto com a polícia de Chicago no verão de 1968, durante um evento do Partido Democrata. Levados a corte, eles foram julgados num ambiente completamente parcial e preconceituoso, se tornando um marco na histórica jurídica dos Estados Unidos de como não conduzir um julgamento.

Novo filme de Aaron Sorkin, Os 7 de Chicago é uma obra política, atual e necessária, com Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne no elenco.

Como anteriormente foi citado, Aaron Sorkin tem um talento nato na construção de seus diálogos e fazer com que eles digam ainda mais do que aparenta, mesmo que sejam expositivos em alguns momentos – o que não é exatamente um problema neste, visto que é um longa com apelo social voltado aos EUA, e uma distribuição internacional comandada pela Netflix necessitaria de algo do tipo. Mas algo fica claro deste o início deste filme: na direção, Sorkin não busca em momento algum soar revolucionário, desenvolvendo uma trama apoiada em fórmulas do gênero, sem que isso seja um problema para a própria obra – mas também não é uma qualidade.

Os 7 de Chicago tem início, meio e fim, com as clássicas explicações ao fim do longa sobre como cada personagem lidou com suas vidas após o julgamento, com um clipe nos minutos iniciais mostrando cenas reais das barbaridades que aconteceram em 1968 e, claro, as clássicas (tensas) cenas de julgamento. Seu destaque aqui, talvez, seja justamente apostar em algo que foi bastante criticado em A Grande Jogada, seu filme anterior: abandonar narrações desnecessárias e optar por “show me, not tell me“, onde seu roteiro prefere mostrar ao espectador o que aconteceu do que apenas dizer isto; a forma como isto acontece é bem interessante, e a edição de Alan Baumgarten merece os seus créditos, sempre afiadíssima e mantendo o ritmo da fita em suas duas horas de duração.

Mas o filme vai além de qualidades técnicas, e existe algo que faz com que ele funcione ainda melhor: seu elenco. Sacha Baron Cohen jamais aparenta irrisório num personagem que transita muito bem entre comédia e drama, e o terceiro ato pode facilmente levá-lo ao Oscar de melhor ator; Eddie Redmayne aparece no papel mais dramático de sua carreira em anos, e consegue segurar as pontas mesmo não sendo o destaque; Mark Rylance valida seus excelentes trabalhos em filmes políticos em mais uma atuação firme; e Frank Langella, que encarna uma figura detestável, que cria um antagonismo bem estabelecido, mesmo que afigure unidimensional em alguns momentos. Destaques também para Joseph Gordon-Levitt, Jeremy Strong e Yahya Abdul-Mateen II, todos excelentes em seus papeis.

Assim como, em uma das cenas, Os 7 de Chicago afirma que existem julgamentos políticos, outra afirmação precisa ser feita aqui: existem filmes políticos, pois a arte é justamente uma manifestação e posicionamento de ideias. E tem-se aqui um exemplo perfeito de obra que jamais tenta esconder isto. Seu posicionamento está claro e notável, e com uma crítica política e social fresta, e não deve passar batido.

Palavra final: Os 7 de Chicago tem seus problemas, principalmente na sua fórmula, que não permite que ele seja ousado como necessário. Mas é um bom filme, com um roteiro firme de Aaron Sorkin e um grande elenco. Merece sua atenção.
3.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: The Trial of the Chicago 7
Dirigido por: Aaron Sorkin
Data de lançamento: 16 de outubro de 2020
País de origem: Estados Unidos
Duração: 129 minutos
Gênero:
  • Drama
  • Policial
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