Crítica | Em “Red (Taylor’s Version)”, Taylor Swift retorna ao passado e recria um dos melhores álbuns de sua carreira
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Maurício Junio
15.11.2021
18:58
Crítica | Em “Red (Taylor’s Version)”, Taylor Swift retorna ao passado e recria um dos melhores álbuns de sua carreira
Em Red (Taylor's Version), Taylor Swift retorna ao passado, relembra um coração partido e retrabalha um dos melhores álbuns de sua carreira.

Não é um desafio fácil refazer do zero um dos álbuns mais aclamados e vendidos de sua carreira, mas Taylor Swift conseguiu. A nova versão de Red, regravada nove anos após o seu lançamento oficial, em novembro de 2012, é a prova disso. Aqui, ela corrige alguns “erros” da versão original, adiciona novas músicas e o transforma em uma odisseia de 30 músicas sobre amor, coração partido e recomeço.

E, de toda a discografia de Swift, Red talvez seja o seu álbum mais arriscado. Claramente, folklore e evermore representaram uma grande virada em sua proposta como artista, principalmente em sua composição e na sua dedicação com produções mais maduras, mas seu disco de 2012 é uma mistura de tantos gêneros musicais e temas que é impossível defini-lo de alguma forma. E é justamente isso que o torna tão único.

Em Red (Taylor’s Version), ela corrige isso sem perder a essência das musicas originais, pensando justamente na experiência daqueles que querem ouvir o disco do inicio ao fim. Essas mudanças de gêneros se tornam mais suaves, criando uma curva menos acentuada em tudo que ele se propõe a ser. E isso se esclarece logo nas primeiras músicas: State of Grace se torna mais pop, enquanto a versão original é country, fazendo com que ela se conecte melhor com e Red e Treacherous, que vêm logo em seguida. O pop-country das três primeiras músicas combinam com I Knew You Were Trouble, um pop-rock que estabiliza o ritmo do disco para as canções seguintes.

É como se Taylor Swift tivesse transformado a montanha russa que é o álbum original em uma longa estrada, uniforme e tranquila. A experiência de ouvir o Red (Taylor’s Version) se torna melhor justamente por isso: ela entende o desafio de criar um álbum de 30 músicas que facilmente seria descartado pela grande maioria do público em suas primeiras dez canções se mantivesse o tom original, e suas mudanças proporcionam que todos cheguem ao fim sem que a viagem no coração partido de uma garota de 21 anos seja entediante.

Além das dezesseis músicas do álbum original, The Moment I Knew, Come Back… Be Here e Girl at Home, que estavam na versão deluxe de 2012, também estão presentes, além do relançamento de Ronan, Better Man e Babe, junto com uma versão acústica de State of Grace. Das músicas já conhecidas, Girl at Home sofre a mudança mais drástica: o pop-country da versão original se transforma um electro-pop com produção adicional de Elvira, e o resultado é excelente.

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Como de costumes em seus relançamentos, Taylor adicionou algumas canções novas, que foram pensadas na época em que ela trabalhava no disco original. É o caso das oito últimas canções do disco, que incluem parcerias com Phoebe Bridges (um dos grandes destaques do projeto, co-produzida com Aaron Desner), Ed Sheeran e Chris Stapleton. Uma versão estendida de All Too Well, com dez minutos de duração e bastante aguardada pelos fãs, funciona como um desfecho na jornada proposta por ela.

Falando na canção final, ela representa muito bem a proposta do Red (Taylor’s Version): assim como o disco pode ser interpretado como um relançamento, suas pequenas mudanças fazem dele algo original. É o retrabalho de uma mulher, hoje adulta e madura, revivendo um coração partido de 10 anos atrás. As letras continuam as mesmas, mas quem lhe produz não. Para estabilizar todos este poréns, Swift aposta em vocais mais firmes e uma produção mais refinada e elegante.

A nova versão de All Too Well é audaciosa, e o trabalho de Jack Antonoff na produção contribui para isso. A mesma mente que ajudou Lana Del Rey na obra-prima Venice Bitch, de 2019, retorna em sua canção mais longa desde aquela época. Ele entende seu desafio em criar uma música deste tamanho, e felizmente cumpre bem com a proposta. Nos seus últimos dois minutos, a música explode com vocais de apoio, um violão desesperado e vocais gritantes, fechando o álbum com chave de ouro.

Uma das motivações para as composições de Red foi o rápido relacionamento de Taylor com o ator Jake Gyllenhaal, que durou aproximadamente três meses. Por muito tempo, essas motivações foram mais importantes para a mídia do que as músicas em si, e a repercussão com a nova versão do disco mostra que isso não mudou com o tempo. Uma das principais críticas é sobre como Swift escreveu músicas tão intensas sobre um namoro relâmpago. Mas o amor é medido por tempo ou intensidade? Red (Taylor’s Version) é apenas o relato de uma jovem com o coração despedaçado com o amor que pensou ser eterno, e, como o próprio nome diz, é sua versão. É a arte dela, feita a partir da visão dela. Nada é a versão final, nada é fato.

Talvez, a impressão que tenha ficado é que o Red era um álbum ruim que precisou ser transformado em algo bom. Mas a situação é ainda mais complicada: a versão original é um espetáculo, audacioso, bagunçado, divertido e bem escrito, e uso todos estes temos com o melhor sentido possível das palavras. Porém, as propostas são diferentes: Red (Taylor’s Version) é um longo disco de 30 músicas que precisa ser apreciado em sua totalidade, e só comprova que é um dos melhores de Taylor Swift, trabalhado com o tempo de uma forma primorosa. E, quando menos se espera, Swift surpreende com sua habilidade de recomeçar.

Palavra final: Red (Taylor’s Version) é um longo disco de 30 músicas que precisa ser apreciado em sua totalidade, e só comprova que é um dos melhores de Taylor Swift, trabalhado com o tempo de uma forma primorosa. E, quando menos se espera, Swift surpreende com sua habilidade de recomeçar.
5.0
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Red (Taylor's Version) - Taylor Swift
Dirigido por:
Data de lançamento: 12 de novembro de 2021
País de origem: Estados Unidos
Duração: 132 minutos
Gênero:
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