Crítica | Rosamund Pike brilha em "Eu Me Importo", comédia sobre mulher que aplica golpes em idosos
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Maurício Junio
19.02.2021
18:32
Crítica | Rosamund Pike brilha em “Eu Me Importo”, comédia sobre mulher que aplica golpes em idosos
Rosamund Pike brilha na comédia "Eu Me Importo", sobre uma mulher que aplica golpes em idosos e acaba se metendo numa enrascada com a máfia.

É sempre bom ver Rosamund Pike interpretando mulheres poderosas, mas com o caráter duvidoso. Sem dúvida alguma, uma das mais emblemáticas personagens da década passada foi interpretada por ela: Amy Dunne, no excelente Garota Exemplar, dirigido por David Fincher. Em Eu Me Importo, a atriz retorna num papel tão emblemático quanto, e brilha novamente.

Eu Me Importo acompanha Marla (Rosamundo Pike), uma guardiã legal que trabalha na tutela de idosos que, segundo a justiça, não possuem capacidade de serem independentes e precisam de ajuda. Contudo, isso não impede que ela facilite o veredito dos juízes para que vire guardiã de idosos ricos, na tentativa de pegar seus bens materiais e dinheiro. Ao mexer seus pauzinhos para que Jennifer Peterson (Dianne Wiest) seja uma das idosas que ela acompanhará até o fim de seus dias, Marla se mete em uma enrascada que jamais imaginou ser possível. (veja o trailer clicando aqui)

A direção e o roteiro são de J Blakeson, o que é inicialmente desanimador, visto que A 5ª Onda e O Desaparecimento de Alice Creed estão em seu currículo. Felizmente, o resultado aqui é superior aos seus trabalhos anteriores. Blakeson sabe movimentar seu roteiro e desenvolver sua trama, num ritmo prazeroso ao expectador. O texto possui um tom absurdo que combina bastante com a trama, e isso é seu grande ponto aqui.

Pode-se até pensar que, ao tratar sobre a tutela de pessoas idosas, o filme exagera. Mas não. Entrando mais a fundo no assunto – e observando casos famosos, como a famigerada tutela de Britney Speras -, é fácil perceber que é um assunto delicado e que merece algumas reformas. O roteiro usa exatamente disso para divertir, mas logicamente ele tem algo a dizer além de fazer seu espectador dar boas risadas.

E toda essa infame história é conduzida por Rosamund Pike, no seu melhor trabalho desde Garota Exemplar. Ao mesmo tempo em que é fácil criar empatia por sua personagem, é fácil sentir raiva dela. É uma luta de seres humano detestáveis, e você precisa torcer por um deles no final. Mas ela vai além disso: Marla é uma personagem muito bem construída e, por baixo da carcaça de golpista durona, existe uma mulher com suas dúvidas e medos, e tudo isso é transmitido em pequenos momentos, num trabalho corporal que Pike sabe fazer muito bem.

Completando o ótimo elenco, Peter Dinklage é um antagonista maligno e divertido, que funciona perfeitamente; Dianne Wiest entrega seu melhor trabalho em anos, numa personagem que flui entre os dois opostos do roteiro; e Eiza Gonzalez, que tem uma presença de cena muito boa, mesmo que, no resultado final, não tenha muito a acrescentar.

Por mais que tenha mais acertos que erros, Eu Me Importo tem seus deslizes. É longo demais, podendo ter, facilmente, 15 ou 20 minutos a menos em sua duração, possui diversas facilitações em seu roteiro e o desfecho é, no mínimo, decepcionante – não aquele decepcionante por ser anticlimático, é basicamente uma conclusão desnecessária, numa história que poderia ter terminado sem seus últimos 5 minutos.

Conduzido pela sempre ótima Rosamund Pike, Eu Me Importo tem ótimos personagens, uma trama absurda (no melhor sentido da palavra) e usa de humor ácido em um roteiro que mescla entre comédia e ação. Uma grata surpresa!

Palavra final: Conduzido pela sempre ótima Rosamund Pike, Eu Me Importo tem ótimos personagens, uma trama absurda (no melhor sentido da palavra) e usa de humor ácido em um roteiro que mescla entre comédia e ação. Uma grata surpresa!
3.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: I Care a Lot
Dirigido por: J Blakeson
Data de lançamento: 19 de fevereiro de 2021
País de origem: Estados Unidos, Reino Unido
Duração: 118 minutos
Gênero:
  • Comédia
  • Ação
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