Crítica | Divertida e envolvente, "The White Lotus" é uma das grandes surpresas do ano
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Maurício Junio
16.08.2021
14:39
Crítica | Divertida e envolvente, “The White Lotus” é uma das grandes surpresas do ano
Lançada sem muita divulgação, “The White Lotus” se tornou um sucesso nas redes sociais e na HBO. Leia a nossa crítica da primeira temporada.

Lançada sem muita divulgação, “The White Lotus” se tornou um sucesso nas redes sociais e na HBO, fazendo com que a produtora garantisse uma segunda temporada. Com apenas seis episódios, a primeira temporada da nova antologia da emissora foi se tornando cada vez mais popular de acordo com a recomendação do público, o que não é uma grande surpresa, levando em consideração o histórico da HBO em criar minissérie e séries de grande sucesso. Após seu fim, fica claro que esta é uma das grandes surpresas do ano – e um dos maiores sucessos.

Alguém morreu no The White Lotus, um resort luxuoso no Havaí. A trama da série começa quando um grupo de desconhecidos ricos – uma família de férias, um casal em lua-de-mel e uma mulher que acabou de perder sua mãe – chega no hotel para passar alguns dias no paraíso. Porém, logo no início do primeiro episódio, é revelado que alguém morreu, e os próximos capítulos terão como objetivo desvendar este mistério.

O grande triunfo aqui é jamais fazer com que a trama dos seis episódios gire em torno do possível assassinato. Aqui, o roteiro está mais preocupado em desenvolver seus personagens e seus dilemas – por mais fúteis que possam parecer -, deixando a morte apenas como uma característica ou, se preferir, um auxiliador narrativo para fazer com que a vida destas pessoas se cruzem de alguma forma.

Um destes personagens está lidando com um possível câncer, enquanto descobre alguns segredos do passado de seu pai e lida com o fardo de ter traído sua esposa (a sempre ótima Connie Britton) anos atrás; o casal em lua-de-mel encara seu primeiro dilema e as consequências disso para o seu futuro; uma mulher em luto tenta reconstruir sua vida se apoiando em afeto de desconhecidos; um jovem rapaz tenta encontrar um sentido em sua vida após perder seu iPhone e Nintendo no mar… São dilemas de pessoas ricas mas que ultrapassam a mesquinharia, dizendo muito mais do que parece.

O que todos estes personagens tem em comum, independente da condição social ou dos problemas pessoais, é o orgulho. Todos querem se orgulhar de algo, ou se recusam a perder uma batalha. Em um diálogo, no quinto episódio, Mark (Steve Zahn), diz uma frase que define muito bem esta série: “Ninguém está disposto a abrir mão de seus privilégios”. De fato, mas podemos alterá-la para definir a série ainda melhor: “Ninguém está disposto a abrir mão de seus privilégios e de sua razão”.

Se opondo a este mundo luxuoso, três personagens funcionam como contramaré: Armond (Murray Bartlett) é o gerente do resort que, a todo momento, tenta ser mais esperto que os hóspedes; Rachel (Alexandra Daddario) representa bem o desconforto do público para com um estilo de vida fora de sua realidade; e Paula (Brittany O’Grady) é o reflexo de como os privilégios dos mais poderosos jamais se refletem nela, independente de sua relação com eles.

Mas a grande estrela da série é, indiscutivelmente, Jennifer Coolidge. Sua personagem, Tanya, é a definição perfeita de comédia e drama. Extremamente humana em alguns momentos, mas exagerada e caricata propositalmente em outros, ela extrai toda a energia do roteiro para si, fazendo com que roube a cena sempre que apareça. Ver uma atriz tão popular na comédia fazendo um trabalho de tanta qualidade, mesmo após tantos anos de carreira, é uma honra.

Por mais que o roteiro não dê tanto espaço para que o mistério sobre o assassinato se desenvolva, era um mistério esperado ao decorrer dos episódios. Porém, o desfecho na parte final é um tanto anticlimático. Cumpre com o que promete, e brinca com seu espectador e com a expectativa que foi criada em torno disso, num episódio final que jamais perde seu tom e, mesmo com um sentimento de decepção, nunca aparentar estar com alguma peça faltado. Olhando por outra ótica, talvez isto faça do final algo excepcional.  

Isso não tira o brilho de “The White Lotus”, muito pelo contrário. É engraçada e envolvente, com um elenco de peso, um trabalho de direção excelente e tecnicamente irretocável. A HBO tirou, mais uma vez, uma carta da manga quando ninguém estava esperando: é um projeto com um futuro promissor e pode se tornar maior do que já é. Se repetirem a qualidade que serviram aqui nas próximas temporadas, certamente conquistará o que deseja.

Palavra final: "The White Lotus" é engraçada e envolvente, com um elenco de peso, um trabalho de direção excelente e tecnicamente irretocável. A HBO tirou, mais uma vez, uma carta da manga quando ninguém estava esperando: é um projeto com um futuro promissor e pode se tornar maior do que já é.
4.5
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: The White Lotus
Dirigido por: Mike White
Data de lançamento: 2021
País de origem: Estados Unidos
Duração: 60 minutos/episódio
Gênero:
  • Drama
  • Comédia
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