Resenha | ''Outlander - A Viajante do Tempo'' é um romance histórico apaixonante e acima da média
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Amanda Passos
20.06.2021
16:33
Resenha | ”Outlander – A Viajante do Tempo” é um romance histórico apaixonante e acima da média
Outlander

Outlander já é uma história conhecida por muitos fãs no mundo todo, principalmente depois da estreia da adaptação de 2014 para a Starz dos livros da autora Diana Galbadon. A trama, que já está em seu 9ª livro – sem contar os Contos que surgiram da história – conquistou diversas pessoas por toda a trama política e histórica extremamente complexa envolvendo uma das duplas mais aventureiras e apaixonadas da literatura: O casal Fraser. A saga sobre a história de Jamie e Claire deve terminar no seu 10º volume após mais de 30 anos de desenvolvimento. Atenção para análise, contém alguns spoilers!

Em 1945, Claire Randall, uma enfermeira inglesa que atuou bravamente durante a Segunda Guerra Mundial, é atraída pelo misterioso círculo de pedras de Craigh na Dun em uma viagem de segunda lua de mel com seu marido Frank. Enquanto tenta resgatar seu relacionamento, abalado por causa dos conflitos de sua época, Claire acaba acidentalmente viajando no tempo para as Terras Altas da Escócia de 1743. Longe do marido e da realidade que conhece, ela precisa se adaptar à época para sobreviver e, quem sabe, retornar para seu próprio tempo. Nesta viagem, Claire conhece o clã Mackenzie e o destemido guerreiro Jamie Fraser. Além disso, a enfermeira tem uma surpresa ao se deparar com o ancestral do seu primeiro marido, um soldado do Exército britânico chamado Jack Randall. Desde seu primeiro encontro, Jack se torna um dos vilões mais impetuosos da literatura. Esse encontro entre o vilão e a mocinha quase custa caro demais para Claire, já que Jack tenta estuprá-la e ela é salva por um estranho homem escocês, nosso Jamie Fraser, que logo depois bate em sua cabeça e ela desmaia. Ao acordar, ela se encontra refém de um grupo de escoceses, o clã Mackenzie, e desta forma, a nossa história de amor começa.

A personagem Claire conquista o leitor já nas primeiras páginas. Uma mulher forte, inteligente, determinada e muito bem resolvida, a enfermeira desafia o machismo em pleno século XVIII, ao mesmo tempo se adapta para sobreviver em uma época tão difícil para as mulheres. Em diversos momentos do livro, vemos como os papéis de gênero são bem trabalhados na trama, que inclusive faz um ótimo trabalho ao questionar a masculinidade diversas vezes na narrativa, principalmente nos momentos mais desafiadores do personagem Jamie Fraser.

Jamie é um típico guerreiro de sua época. Sua história complexa com o clã Mackenzie, homens próximos da família Fraser que, no momento em que Claire aparece, nos mostra um Jamie sob os cuidados da família na propriedade, é essencial para entender todos conflitos que irão se desenvolver na trama. Destemido, honrado e misterioso, os primeiros encontros com Claire já evidenciam uma química surreal que deixa o leitor cada vez mais curioso pelo desenrolar das conversas e situações. É, sem dúvida, um dos meus casais favoritos da literatura contemporânea. Para além de Claire, durante a leitura, vamos juntas da personagem descobrindo o incrível passado do guerreiro, para o qual Galbadon já tem planos de spin-off. Em um certo momento, inclusive, nos deparamos com figuras da família de Jamie tão importantes em sua história, como sua irmã Jenny e Ian.

Em quase 800 páginas, a autora consegue desenvolver uma história apaixonante e repleta de reviravoltas que fazem qualquer amante de história e de romances serem fisgados. Apesar do grande número de páginas, a leitura poucas vezes se torna tediosa, visto que é uma narrativa muito dinâmica, que inclui muitos diálogos e novos personagens a todo momento. É importante ressaltar que a leitura é feita a partir da perspectiva de Claire, o que torna toda a experiência de imersão em 1743 surpreendente, já que junto à ela, nos adaptamos aos tempos remotos de guerras por território e muita violência. Neste sentido, um dos pontos baixos do livro é notório. Apesar de toda a história girar em torno de um romance, a violência é um fator muitas vezes exagerado na narrativa. Enquanto poderia usar outras artimanhas para prender quem está lendo, ao mesmo tempo que vemos cenas revolucionárias de relações sexuais na narrativa, temos igualmente cenas violentas, muitas vezes inseridas ali para chocar o leitor mais do que para acrescentar à história.

Apesar deste ponto negativo, Outlander sempre se coloca acima da média. A trama política que envolve a resistência jacobita dos povos escoceses contra a Coroa Britânica nos apresenta uma história para além do simples romance, que é o principal, mas não rouba a cena de questões importantes, que ressoam ainda nos dias de hoje na história escocesa e na sua luta pelo território. Ao mostrar personagens secundários tão complexos quanto o casal principal, isto é, Jamie e Claire, as lutas e a resistência escocesa tomam forma e diversas nuances são muito bem exploradas pela autora, como a própria formação dos soldados para a Revolução Jacobita de 1745. Os pontos altos desta parte história são os personagens Collum, Murtagh e Dougal, que lutam bravamente contra o Exército Britânico ao lado de Jamie e contra o vilão principal, Jack Randall – além de outros soldados ingleses.

Outro ponto positivo da história que não poderia ficar de fora é como o folclore escocês é utilizado na narrativa de maneira magistral. A primeira pista de que isso será trabalhado no livro é a relação de Claire e das pedras de Craigh na Dun, responsáveis por fazer ela voltar no tempo. Diz a lenda escocesa que as famosas pedras espalhadas por toda a Grã-Bretanha são, na verdade, círculos de poder que funcionariam como portais, permitindo aos viajantes atravessarem a linha temporal, algo que foi muito bem incorporado à narrativa. Nesta parte muito bem desenvolvida da história, a autora trabalha com toda essa mitologia e com as questões de gênero como caça às bruxas na época, como quando Claire começa a se envolver com a misteriosa Geillis Duncan quando chega em 1743, que mais tarde na história descobrimos que tem muito a ver com todo o misticismo por trás da viagem do tempo.

Outlander: A Viajante do Tempo, portanto, tem uma história extremamente complexa e que envolve diversos personagens, guerras, romances, política, passado e futuro. Na medida em que se mergulha neste universo dos highlanders, é possível perceber porque o livro é tão extenso e o porquê dessa história necessitar de 10 volumes. Nos deparamos com conflitos de tirar o fôlego, personagens extremamente carismáticos e, sem dúvida muita violência e romance. Pouco da trama pode ser revelado aqui sem entregar as melhores partes para os futuros leitores. É inevitável acabar esta resenha afirmando que a leitura está mais do que recomendada, assim como os outros livros da sequência, já que no final com certeza o leitor ficará curioso para os próximos passos de Claire e Jamie.

Resenha fruto da parceria com a Editora Arqueiro, responsável pelo lançamento da obra no Brasil.

Palavra final: ''Outlander - A Viajante do Tempo'' é um romance histórico acima da média que prende o leitor do início ao fim em suas tramas extremamente apaixonantes e políticas em todos os sentidos.
4,0
Nota do autor:
Ficha técnica
Título original: Outlander
Dirigido por: Autora: Diana Galbadon
Data de lançamento: 1991
País de origem: Estados Unidos
Duração: 800 páginas
Gênero:
  • Romance
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