Ginasta expõe que sofria bullying e homofobia de Ângelo Assumpção desde os 9 anos de idade
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Éder Matheus
25.07.2021
20:00
Ginasta expõe que sofria bullying e homofobia de Ângelo Assumpção desde os 9 anos de idade
Gabriel Alves, Ângelo Assumpção e Arthur Nory, ginastas que atuam pela seleção brasileira de ginasta.

Com o início das Olimpíadas de Tóquio na última sexta-feira (25), uma polêmica envolvendo o ginasta Arthur Nory voltou a repercutir nas redes sociais. Em 2015, o atleta publicou vídeos em sua conta pessoal no Snapchat fazendo piadas racistas contra o colega Ângelo Assumpção, único negro da seleção brasileira de ginástica na época.

Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca… Quando ele estraga é de que cor?” e “O saco do supermercado é branco, o de lixo é preto, por quê?” foram frases ditas por Arthur no vídeo polêmico. O momento voltou a repercutir nos últimos dias e Arthur, que foi eliminado no primeiro dia da ginástica desse ano, culpou as críticas que vêm recebendo nas redes sociais como a principal razão para seu mau desempenho na competição.

Com o caso tomando conta das redes sociais, o ginasta Gabriel Alves veio a público se pronunciar sobre ataques homofóbicos que teria sofrido por Ângelo, vítima de Arthur, e contar o que ele sabe sobre os dois ginastas. Segundo Gabriel, ele foi vítima de bullying praticado por Ângelo desde seus 9 anos de idade.

“Treino ao lado do Nory, assim como já treinei e morei ao lado do Ângelo! Fiquei por um tempo alojado na república do clube, onde o Ângelo também morava. Talvez com alguém que viveu e presenciou tudo ao lado dos dois, vocês consigam abrir o olho e enxergar direitinho cada lado desse caso! Olhar todos os fatores e ver quem realmente eles são!”, disse Gabriel nas primeiras publicações.

“Entrei no clube em 2014, tinha apenas 9 anos! Quando comecei a me aproximar mais da seleção adulta do clube, começaram os apelidos e as “brincadeiras” de mal gosto comigo! Todos dados pelo Ângelo! Em 2014, ainda antes do caso do racismo, Ângelo me apelidou de ‘Rebeca Blackout’ e de ‘Leona’, era assim que ele me chamava, nunca pelo meu verdadeiro nome!”, continuou o ginasta. Os nomes citados por Gabriel são os de duas crianças afeminadas que tiveram vídeos virais na internet naquela época.

“Quando entrei no clube, eu tinha o dente da frente quebrado, ainda em 2014! E o Ângelo me comparava com os garotos dos vídeos, alegando que eu era parecido com os dois! Não só na aparência, mas também no jeito de ‘viad*’, como ele dizia! Eu realmente ficava mal com os apelidos e falava que não era parecido, que não tinha semelhanças nenhuma, mas ele afirmava que era só questão de tempo pra eu me descobrir! E foi assim o ano de 2014 todinho, sempre Rebeca ou Leona”, seguiu o atleta em seu relato.

Ele contou que Ângelo Assumpção continuou usando os mesmos apelidos para se referir a ele até 2019, quando o ginasta foi demitido do clube de Pinheiros após denunciar um segundo caso de racismo.

“Eu acompanhei o Ângelo de 2014 até 2019, o dia que ele foi desligado do clube! Em todos esses anos os apelidos sempre continuaram, eram sempre os mesmos! Ele nunca mudou comigo! Sempre com o mesmo ego! Um dia cheguei pra conversar com ele e pedi pra ele poder parar com esses apelidos! Ele disse que não iria parar com isso, porque eu precisava passar por isso e que no fundo ele não estava me ajudando!”, disse Gabriel.

De acordo com o ginasta, Ângelo nunca lhe procurou para pedir desculpas pelas piadas homofóbicas. “Até hoje não ouvi um pedido de desculpas e ele nunca me procurou pra falar sobre como ele estragou o meu psicológico quando eu era apenas uma criança, pois o ego dele sempre foi maior!”, completou o atleta.

Na sequência, Gabriel contou sobre a relação de Arthur e Ângelo após o episódio de racismo. “Em 2015, infelizmente as piadas racistas do Nory foram ao ar, mas as homofóbicas do Ângelo não. O Nory foi punido na época. Ângelo aceitou o pedido de desculpas do Nory, tanto que até gravou um vídeo falando que não passavam de uma brincadeira. A amizade deles continuou por um tempo, Ângelo continuava muito amigo do Nory. Até porque, como eu disse, sempre teve essas “brincadeiras” na amizade dos dois, mas infelizmente o rumo das coisas começou a mudar!”, continuou o ginasta.

Ângelo Assumpção e Arthur Nory, ginasta.
Ângelo Assumpção e Arthur Nory.

Ele, então, expôs uma suposta falta de comprometimento de Ângelo com a ginasta. “Ângelo perdeu o rumo na ginástica após a Olimpíadas de 2016 onde ele não foi convocado por falta de nível pra representar o nosso país em um evento tão grande. Já o Nory, que se destacou no decorrer dos anos, foi convocado. Ângelo começou a faltar com compromisso nos treinos, inventava desculpas pra faltar, saia pra baladas durante a semana e não aparecia nos treinos de manhã, era mal educado com os treinadores e continuava com os apelidos de mal gostos comigo e com outros amigos meus! Após tudo isso ele só foi piorando, não tinha vontade de treinar mais e só ia pro ginásio pra poder causar! Ele gostava de arrumar encrenca com todos! Principalmente com os menores de idade!”, relatou Gabriel.

Por fim, o atleta afirmou que Ângelo Assumpção só retornou o assunto do racismo que sofreu enquanto atuava pelo Pinheiros porque diante de tanta falta de comprometimento, ele sabia que não seria aceito por nenhum outro clube. “As advertências começaram a chegar e ele foi se perdendo mais ainda, se afastou do Nory e de todos os atletas do clube, ninguém aguentava mais o jeito que ele tratava os outros, sempre com desrespeito e ignorância! O Ângelo só quis voltar no assunto do racismo após o clube ter desligado ele e a ginástica toda saber os B.O dele! E foi aí que ele voltou nessa história, porque ele sabia que clube nenhum jamais ia aceitar ele aqui no Brasil! Justamente por tudo o que eu disse acima!”, concluiu o ginasta.


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