Em decisão histórica, Itália abole censura e proíbe governo de banir filmes
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Maurício Junio
07.04.2021
21:54
Em decisão histórica, Itália abole censura e proíbe governo de banir filmes
A Itália aboliu a lei que permitia a censura de filmes, fazendo com que o governo não tenha mais nenhuma autoridade para interferir nas obras.

Em decisão histórica, a Itália aboliu a lei que permitia a censura de filmes ou cenas específicas, fazendo com que o governo não tenha mais nenhuma autoridade para interferir nas obras. A medida acaba com “o sistema de controles e intervenções que ainda permitia ao Estado italiano intervir na liberdade dos artistas”, disse o ministro da Cultura, Dario Franceschini, que na segunda-feira anunciou um novo decreto acabando com os poderes do governo de censurar o cinema.

De 1913 até os dias atuais, centenas de filmes foram censurados por completo ou tiveram cenas cortadas das versões exibidas nos cinemas, por serem considerados imorais, ou por motivos religiosos e políticos. Agora, as distribuidoras de filmes classificarão as obras com indicações por idade, assim como acontece no Brasil. Além disso, uma comissão ficará responsável para regularizar e classificar filmes proibidos no passado.

De acordo com uma pesquisa da Cinecensura, exibição online permanente promovida pelo Ministério da Cultura da Itália, 274 filmes italianos, 130 filmes americanos e 321 filmes de outros países foram proibidos na Itália desde 1944, e mais de 10.000 foram forçados a cortar cenas. (via Variety)

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Um dos casos mais emblemáticos de censura da história da Itália é do polêmico Salò ou os 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini. O filme chegou a ser exibido nos cinemas italianos por alguns dias, mas foi proibido oficialmente meses depois, em janeiro de 1976. O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, foi banido do país e todas as suas cópias foram destruídas, voltando a ficar disponível apenas em 1987.

O último caso de proibição foi Toto Who Lived Twice, de Daniele Ciprì e Franco Maresco, em 1998, que despertou a de religiosos católicos italianos por muitas cenas pesadas e referências religiosas. O foi foi produzido com financiamento do governo e abriu margem para o início das discussões sobre a abolição da lei, que aconteceu mais de 20 anos depois.


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