Roteirista de "Emily in Paris" critica Globo de Ouro por esnobar "I May Destroy You"
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Maurício Junio
04.02.2021
20:09
Roteirista de “Emily in Paris” critica Globo de Ouro por esnobar “I May Destroy You”
I May Destroy You foi uma das séries mais aclamadas do ano. Mas nem a aclamação foi suficiente para fazer ela fosse indicada ao Globo de Ouro.

Sem dúvida alguma, I May Destroy You foi uma das séries mais aclamadas do ano. Contudo, sem toda a aclamação foi suficiente para fazer com que a minissérie escrita, dirigida, produzida e estrelada por Michaela Coel (Chewing Gum) fosse indicada ao Globo de Ouro.

O motivo? Conservadorismo, talvez. O filme acompanha uma jovem negra que acorda no dia seguinte após uma festa regada a bebidas e drogas e percebe que foi violentada sexualmente. Aos poucos, ela começa a juntar as peças para ir em busca de seu agressor.

A roteirista de Emily in Paris, Deborah Copaken, que foi indicada na categoria de Melhor Série de Comédia, fez um artigo para o The Guardian onde criticou a premiação por ignorar completamente a série de Coel: “Agora, estou animada que Emily in Paris foi indicado? Sim. Claro. Nunca estive nem remotamente próxima de ver uma estatueta do Globo de Ouro de perto, muito menos de ser indicada para uma. Mas essa empolgação agora infelizmente é temperada por minha raiva pelo desprezo de Michaela Coel. Que I May Destroy You não conseguiu uma indicação no Globo de Ouro não é apenas errado, é o que há de errado com tudo.

Copaken ainda comenta sobre o efeito de mulheres poderosas na indústria: “Veja minha amiga Deb Dugan, a primeira mulher presidente e CEO da Recording Academy. Ela foi contratada para lidar com, entre outras coisas, corrupção, sexismo e o problema contínuo do #grammyssowhite. Quando Deb começou a fazer isso – quando ela realmente começou a tentar limpar a casa na Recording Academy e teve que registrar sua própria reclamação de assédio sexual enquanto o fazia – ela foi demitida.

Ela termina dizendo: “Mas minha fúria não é apenas sobre raça. Ou mesmo sobre a representação racial na arte. Sim, precisamos de uma arte que reflita todas as nossas cores, não apenas algumas. Mas também precisamos premiar programas (e músicas e filmes e peças e musicais) que os merecem, não importa a cor da pele de seus criadores. Hamilton é ótimo porque Lin-Manuel Miranda é porto-riquenho? Não. É ótimo porque nos atinge. Da mesma forma, como alguém pode assistir I May Destroy You e não chamá-lo de uma obra de arte brilhante ou Michaela Coel de gênio está além da minha capacidade de entender como essas decisões são tomadas.

Em nossa crítica sobre I May Destroy You, a definimos como a melhor série de 2020; leia clicando aqui.


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