Top 5 finalistas do prêmio Jabuti que você deveria conhecer
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Bianca Paim
26.10.2020
21:47
Top 5 finalistas do prêmio Jabuti que você deveria conhecer

Foi anunciada na quinta-feira, 22, a primeira lista de finalistas do Prêmio Jabuti 2020. Em sua 62ª edição, e em mais um ano conturbado envolvendo a curadoria, a premiação, promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a mais tradicional do País, revela agora os dez finalistas de suas 20 categorias.

Nomes já consagrados e velhos conhecidos do Prêmio Jabuti, como Maria Valéria Rezende e Chico Buarque, e grandes editoras dividem espaço com editoras independentes e autores menos experientes. Gabriela Aguerre, por exemplo, concorre na categoria de melhor romance literário com O Quarto Branco, sua estreia. E Carol Rodrigues, que estreou na literatura com Sem Vista Para o Mar, livro de contos que ganhou importantes prêmios, também está na disputa com seu primeiro romance: O Melindre nos Dentes da Besta.Ailton Krenak e Djamila Ribeiro também são finalistas do Jabuti.
A novidade deste ano é a categoria romance de entretenimento e entre os finalistas estão Raphael Montes e Ana Rüsche.

Nós escolhemos 5 livros – entre os finalistas das 20 categorias do prêmio – que você ainda vai ouvir falar muito, se já não ouviu. Confira:

Finalista do prêmio na categoria Romance Literário | Marrom e amareloPaulo Scott 

Marrom e amarelo | Amazon.com.br
Editora: Alfaguara

Os irmãos Federico e Lourenço são muito diferentes. Federico, um ano mais velho, é grande, calado e carrega uma raiva latente. Lourenço é bonito, joga basquete e é “muito gente boa”. Federico é claro, “de cabelo lambido”. Lourenço é preto. Filhos de pai preto, célebre diretor-geral do instituto de perícia do Rio Grande do Sul, eles crescem sob a pressão da discriminação racial. Lourenço tenta enfrentá-la com naturalidade, e Federico se torna um incansável ativista das questões raciais.

Federico, o narrador desta história, foi moldado na violência dos subúrbios de Porto Alegre. Carrega uma dor que vem da incompletude nas relações amorosas e, sobretudo, dos enfrentamentos raciais em que não conseguiu se posicionar como achava que deveria.
Marrom e amarelo é um livro que retrata diferentes aspectos de um Brasil distópico, conflagrado, da inércia do comando político à crônica tensão racial de toda a sociedade. É um romance preciso, que nos faz mergulhar nos abismos expostos do país.

Finalista do prêmio na categoria Romance Literário | Se deus me chamar não vouMariana Salomão Carrara

Se Deus Me Chamar Não Vou by Mariana Salomão Carrara
Editora: Nós

Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem. A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da “pior idade do universo”, irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma “loja de velhos”. Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, “é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro”. É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: “na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma. E eu escrevi que não era pra levar nenhuma, que tudo é mentira, ninguém vai junto a parque nenhum nessa vida”. É também assim que ela junta e faz pergunta e faz poesia com tudo o que se ergue e desmorona, os pais, deus, o amor, o corpo, a morte, o difícil que é entender o amor dos outros. Quando crescer, Maria Carmem vai ser escritora. Mas Maria Carmem já cresceu e já é. Esse livro é uma generosidade de sua poesia. Uma oportunidade de a gente crescer com ela.

Finalista do prêmio na categoria Romance Literário |Torto arado – Itamar Vieira Junior

Torto arado | Amazon.com.br
 Editora: Todavia

Bibiana e Belonísia são filhas de trabalhadores de uma fazenda no Sertão da Bahia, descendentes de escravos para quem a abolição nunca passou de uma data marcada no calendário. Intrigadas com uma mala misteriosa sob a cama da avó, pagam o atrevimento de lhe pôr a mão com um acidente que mudará para sempre as suas vidas, tornando-as tão dependentes que uma será até a voz da outra. Porém, com o avançar dos anos, a proximidade vai desfazer-se com a perspectiva que cada uma tem sobre o que as rodeia: enquanto Belonísia parece satisfeita com o trabalho na fazenda e os encantos do pai, Zeca Chapéu Grande, entre velas, incensos e ladainhas, Bibiana percebe desde cedo a injustiça da servidão que há três décadas é imposta à família e decide lutar pelo direito à terra e a emancipação dos trabalhadores. Para isso, porém, é obrigada a partir, separando-se da irmã.Numa trama tecida de segredos antigos que têm quase sempre mulheres por protagonistas, e à sombra de desigualdades que se estendem até hoje no Brasil, Torto Arado é um romance polifónico belo e comovente que conta uma história de vida e morte, combate e redenção, de personagens que atravessaram o tempo sem nunca conseguirem sair do anonimato.

Finalista do prêmio na categoria Conto | Redemoinho em dia quente – Jarid Arraes 

Redemoinho em dia quente | Amazon.com.br
Editora: Companhia das Letras

Nordestina, ligada à tradição e vivência de tal povo, com seus costumes singulares e forma pulsante de combater os males que os assolam, Jarid Arraes utiliza-se de contos breves para discorrer de diversos tipos de temáticas.
Sem o intuito de apresentar-se com contos epopeicos, a autora aborta em sua narrativa questões diárias e comuns, por vezes mesclando a apresentação de contos pessoais e impessoais.
Podemos encontrar na obra as temáticas da sexualidade, da dor, da religião, da questão racial, do feminismo, da violência sexual e física, e principalmente da descoberta — em verdade, na maioria dos contos, seremos apresentados à mulheres que estão descobrindo tudo pela primeira vez —, como por exemplo, como trabalhar em uma profissão predominantemente masculina.
É importante ressaltar que não se trata de uma obra de ataques, trata-se puramente do cotidiano e de fatos.

Finalista do prêmio na categoria Romance de Entretenimento |Serpentário – Felipe Castilho

Serpentário by Editora Intrínseca - issuu
 Editora: Intrínseca

Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.
Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa. Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior… e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.

Sem curador após a renúncia de Pedro Almeida, que publicou um post minimizando o coronavírus com informações falsas e foi alvo de um abaixo-assinado pedindo sua saída, o Prêmio Jabuti presta homenagem nesta edição para a poeta Adélia Prado.

No dia 5 de novembro, serão revelados os cinco finalistas de cada categoria. A cerimônia de premiação do Jabuti, quando também será conhecido o vencedor do Livro do Ano, será no dia 26 de novembro, com transmissão pelas redes sociais da Câmara Brasileira do Livro.

O vencedor de cada categoria receberá o valor de R$ 5 mil e a estatueta do prêmio, exceto na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior, que leva só a estatueta. O autor do Livro do Ano (concorrem os vencedores dos eixos Ensaios e Literatura) ganha R$ 100 mil.


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