Entrevista de Olivia Rodrigo reacende briga antiga entre Halsey e o crítico Fantano

Halsey e Fantano

Enquanto promove seu novo álbum, “you seem pretty sad for a girl so in love“, Olivia Rodrigo acabou se tornando um elemento indireto em uma polêmica que reacendeu uma antiga disputa entre a cantora Halsey e o crítico musical Anthony Fantano.

Apesar de não ter nenhuma relação com a briga, Olivia foi colocada no meio da conversa por compartilhar sua visibilidade com o crítico, que é constantemente criticado por internautas por algumas posições consideradas machistas e misóginas em suas críticas.

Por conta disso, Olivia foi criticada ao seu declarar fã de Fantano durante essa entrevista, que ajudou a iniciar um movimento na internet com fãs revivendo vídeos antigos do crítico, dentre eles, uma que ele fez ao último álbum de estúdio de Halsey.

Tudo começou quando um usuário do X (antigo Twitter) resgatou a crítica de Fantano para “The Great Impersonator“, álbum lançado por Halsey durante seu tratamento contra o câncer. O projeto aborda diversos momentos delicados vividos pela artista, incluindo o medo de deixar seu filho pequeno para trás enquanto enfrentava problemas de saúde.

Na época, embora tenha reconhecido alguns méritos do trabalho, Fantano foi amplamente criticado pela forma como abordou o disco. Entre seus comentários mais controversos, ele classificou o álbum como um caso de “síndrome de protagonista“, afirmou que algumas músicas pareciam “fantasias de Halloween mal executadas” e criticou a sonoridade inspirada no pop-rock dos anos 2000. Ao final da análise, atribuiu a nota 1/10 ao projeto.

A repercussão foi imediata. Fãs da cantora acusaram o crítico de ser insensível ao contexto em que o álbum foi criado, e o debate tomou conta das redes sociais. Com o passar dos meses, a discussão esfriou, mas voltou com força neste domingo (21), quando Fantano voltou a ironizar a situação em suas redes.

Halsey respondeu publicamente e não poupou críticas.

Tenho certeza de que minha música menos memorável será lembrada com mais carinho e por mais tempo do que qualquer coisa que você venha a fazer na sua vida“, escreveu a cantora. Em outras publicações, ela sugeriu que o crítico agia como um misógino e o descreveu como um “valentão da cultura edgelord do 4chan“. Ao encerrar uma das mensagens, acrescentou: “Pelo menos eu tinha a desculpa de estar passando por quimioterapia“.

A discussão continuou ao longo do dia, levando Halsey a explicar com mais profundidade por que a crítica a afetou tanto. Segundo ela, o problema nunca foi simplesmente uma avaliação negativa, mas a forma como sua experiência pessoal foi tratada.

Quem se importa que ele deu uma resenha ruim? Eu me importo que um reacionista de cliques pagos do YouTube possa se passar por um crítico profissional e dizer que é ‘síndrome de personagem principal’ para uma artista lamentar seu sofrimento médico em um álbum sobre a própria vida“, escreveu.

A cantora também argumentou que mulheres que enfrentam problemas graves de saúde frequentemente sentem receio de falar sobre sua dor por medo de serem vistas como pessoas em busca de atenção.

Diante da repercussão, Fantano foi procurado pela Variety e respondeu às acusações. O crítico afirmou que sua avaliação nunca teve relação com a doença de Halsey, mas exclusivamente com a forma como o álbum foi concebido.

Segundo ele, os problemas do disco estavam ligados à composição e às referências musicais que, em sua visão, não foram bem executadas. Fantano também rejeitou as acusações de misoginia, destacando que já defendeu inúmeras artistas mulheres ao longo de sua carreira e que suas críticas não têm relação com gênero.

“Vocês não precisam concordar comigo… Mas uma coisa que não posso aceitar passivamente é essa encenação em que as pessoas querem agir como se eu fosse Satanás em pessoa por não gostar deste álbum — o que não sou. Não sou o próprio diabo por não ter gostado do disco. Além disso, isso não tem nada a ver com o fato de Halsey ser mulher. Há inúmeras mulheres cujos projetos defendi ao longo dos anos. Não tenho problema algum em apreciar e apoiar o trabalho de mulheres, especialmente daquelas que abordam questões sérias em suas obras.

As polêmicas quanto ao crítico ser “machista” tomaram força maior quando sua crítica para o álbum de Fiona Apple foi divulgada. Enquanto a imensa maioria considerava o álbum perto da perfeição, o crítico comparou às letras de Fiona a “estupro de gimmicky“.

Ao final da declaração, Fantano ainda afirma ser o crítico mais relevante e influente da sua geração com um impacto que irá durar ainda por muitos anos. “E, se eu morrer amanhã, ninguém vai superar essa trajetória” finalizou.

A nova troca de farpas rapidamente dominou as redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites da crítica musical, especialmente quando obras artísticas são construídas a partir de experiências traumáticas e questões de saúde vividas pelos próprios artistas.