Yasmin Finney desabafa sobre os problemas enfrentados por pessoas trans no Reino Unido em cena emocionante de “Heartstopper: Para Sempre”

Heartstopper: Para Sempre“, filme que encerra a história da aclamada série da Netflix, estreou na semana passada levando às telas um desfecho emocionante para seus personagens.

Uma das cenas mais comoventes do longa-metragem conta com um discurso emocionante de Elle (Yasmin Finney), no qual a personagem desabafa sobre os problemas enfrentados por pessoas trans no Reino Unido.

No trecho em questão, Charlie (Joe Locke) diz não ter certeza se irá comparecer à Parada do Orgulho LGBTQIA+, pois está abalado após término com Nick (Kit Connor). Elle, então, admite que a presença do amigo no evento é essencial para que ela se sinta mais segura.

Charlie, eu sei que você está sofrendo, mas eu preciso que você vá e marche comigo no sábado, porque estou morrendo de medo. O mundo me odeia neste momento. O governo está tirando meus direitos e tudo pelo que lutamos. Se eu fosse mais nova, nem poderia tomar bloquadores de hormônio legalmente, porque proibiram”, lamenta Elle.

Não querem que eu use banheiros públicos ou que eu sequer exista. Só quero ser eu mesma. Ser livre. Ser feliz. Sei que sabe disso, e tudo bem se você for e ficar chorando pelo Nick. Mas eu vivo apavorada, então realmente preciso dos meus melhores amigos comigo lá.”.

Assista à cena completa:

Em abril de 2025, a Suprema Corte britânica decidiu que, para fins da Lei da Igualdade (Equality Act 2010), os termos “mulher” e “homem” devem ser interpretados com base no sexo biológico. A decisão não retirou a proteção contra discriminação por identidade de gênero, mas mudou a forma como determinadas partes da lei são aplicadas.

Após essa decisão, a Comissão de Igualdade e Direitos Humanos (EHRC) elaborou novas orientações sobre espaços de uso exclusivo de um sexo, como banheiros, vestiários, enfermarias hospitalares e abrigos. Essas orientações permitem que, em determinadas circunstâncias, organizações restrinjam o acesso com base no sexo biológico, desde que isso seja considerado legal e proporcional.

As mudanças impactaram emocionalmente pessoas trans, que alegam que passaram a ter mais dificuldades para utilizar banheiros e vestiários de acordo com sua identidade de gênero, além de relatarem um aumento na insegurança e do estigma social.