Últimos 34 dias de Elizabeth Holmes antes de ir para a prisão são documentados no primeiro teaser de “You Can See Everything”

A A24 divulgou, na noite deste domingo (6), o primeiro teaser de “You Can See Everything“, documentário revelado em uma sessão surpresa no Festival de Telluride e que tem tudo para ser uma das produções mais polêmicas — e bizarras — do ano.
A premissa oficial é fascinante: 34 dias antes de começar a cumprir sua pena de prisão, Elizabeth Holmes convidou uma equipe de filmagem cética para acompanhá-la e registrar sua vida. O que inicialmente seria um retrato íntimo dela, no entanto, acabou se transformando em uma investigação cinematográfica de três anos.
Assista ao teaser:
Elizabeth Holmes é uma empresária americana que fundou a companhia Theranos em 2003, quando tinha apenas 19 anos. A empresa prometia revolucionar a medicina com uma tecnologia capaz de realizar dezenas de exames usando apenas algumas gotas de sangue retiradas do dedo. A ideia atraiu investidores poderosos e fez a Theranos chegar a uma avaliação de cerca de US$ 9 bilhões, transformando Elizabeth em uma das empresárias mais famosas do Vale do Silício.
O problema é que a tecnologia não funcionava como Elizabeth dizia. Investigações revelaram que os aparelhos da Theranos tinham limitações e problemas de precisão e que muitos exames eram realizados em máquinas convencionais de outras empresas. Para atrair investidores, Elizabeth costumava fazer afirmações falsas ou enganosas sobre a capacidade da tecnologia.
Elizabeth acabou sendo julgada e, em 2022, foi condenada por quatro crimes relacionados à fraude, após o júri concluir que a empresária enganou deliberadamente investidores para conseguir dinheiro para a Theranos, apresentando como realidade uma tecnologia e uma situação empresarial que não correspondiam aos fatos. Ela recebeu uma pena de 11 anos e 3 meses de prisão e começou a cumpri-la em 2023.
Após a condenação, Elizabeth e o marido, Billy Evans, decidiram que queriam documentar suas vidas antes da empresária ir para a prisão e procuraram a A24 para o desenvolvimento do projeto. Foi dessa forma que os diretores Nathan Fielder e Lance Oppenheim tomaram conhecimento da ideia e se envolveram com a produção.
O próprio Fielder contou que, inicialmente, achou que não havia motivo para fazer outro filme sobre Elizabeth, porque considerava que sua história já havia sido suficientemente documentada. O que mudou sua opinião, no entanto, foi conhecer Elizabeth pessoalmente.

Reprodução: A24.
De acordo com o diretor, após conhecer a empresária, ele a achou agradável e aparentemente sincera, ainda que racionalmente soubesse de tudo o que havia sido revelado sobre a Theranos e entendesse que não deveria confiar nela. Essa discrepância virou um dos motores do documentário.
Elizabeth, por sua vez, aparentemente abriu sua casa porque queria mostrar aos cineastas que a imagem pública criada sobre ela estaria errada. Ela e o companheiro, Evans, defendiam uma espécie de “transparência radical”: se os cineastas pudessem observar tudo, supostamente perceberiam quem ela realmente era.
Acontece que, no decorrer do documentário, a proposta começa a tomar um rumo diferente. Conforme se aproxima de Elizabeth e acompanha sua rotina, Fielder passa a questionar se ela está realmente sendo sincera diante das câmeras ou se estaria, mais uma vez, tentando manipular a percepção de quem está ao seu redor.
A dúvida se torna um dos pontos centrais do filme, que deixa de ser apenas um retrato íntimo de Elizabeth para se transformar em uma investigação sobre verdade, mentira, persuasão e até sobre a capacidade de uma câmera revelar quem uma pessoa realmente é.
Afinal, como descobrir a verdade sobre uma pessoa extremamente habilidosa em controlar a própria narrativa? Mesmo vendo tudo, você consegue saber quando alguém está dizendo a verdade?
O documentário foi aclamado após estrear no Festival de Telluride, alcançando 100% de aprovação da crítica especializada no Rotten Tomatoes. O Awards Radar o destacou como “um dos documentários mais impressionantes já feitos”.

“You Can See Everything”.
“You Can See Everything” estreia em outubro nos cinemas dos Estados Unidos.







