Por que “Verônika com K” demorou três anos para chegar ao Globoplay?

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A nova série do Globoplay, “Verônika com K”, já conquistou o público da plataforma. Lançada em 22 de outubro, a produção se tornou a série original mais assistida do streaming nos primeiros sete dias, superando até mesmo o drama médico “Emergência 53“. Apesar da boa recepção, a chegada da trama ao público demorou mais do que o previsto: a produção ficou engavetada por aproximadamente três anos, em meio a uma disputa judicial envolvendo sua protagonista, Roberta Rodrigues, e a TV Globo.

A atriz entrou com uma ação contra a emissora após denunciar episódios de racismo e assédio moral nos bastidores da novela “Nos Tempos do Imperador“, exibida entre 2021 e 2022. O caso ganhou repercussão justamente porque Roberta também protagoniza a série, levantando questionamentos sobre uma possível relação entre o processo e o adiamento da estreia.

As denúncias, porém, não têm relação direta com o conteúdo de “Verônika com K“. O imbróglio aconteceu durante a produção da novela, quando Roberta Rodrigues, Cinnara Leal e Dani Ornellas relataram supostos episódios de racismo e tratamento discriminatório contra integrantes negros do elenco. As atrizes apontaram diferenças de tratamento entre profissionais negros e brancos e atribuíram parte dos problemas ao então diretor artístico Vinicius Coimbra.

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Um dos episódios que ganhou destaque foi uma reunião realizada em setembro de 2021, exclusivamente com atores negros, na qual o diretor teria utilizado a expressão “tropa de choque do movimento branco”. A fala causou desconforto entre os participantes. Em março de 2022, após uma investigação interna, Vinicius Coimbra foi demitido pela Globo, sob a justificativa de assédio moral.

Roberta decidiu levar o caso à Justiça do Trabalho, alegando ter sofrido racismo institucional e assédio moral durante a produção da novela. Segundo os relatos apresentados no processo, o ambiente profissional teria provocado problemas emocionais e levado a atriz a desenvolver burnout, o que resultou em um afastamento de aproximadamente três meses.

Inicialmente, Roberta solicitou uma indenização de R$ 10 milhões. Em março de 2025, a Justiça do Trabalho condenou a TV Globo a pagar R$ 500 mil à atriz, reconhecendo a existência de assédio moral e racismo institucional no ambiente profissional.

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Paralelamente à disputa judicial, “Verônika com K” começou a ser gravada em 2023, com previsão inicial de lançamento para 2024. A produção, entretanto, acabou sem uma data de estreia definida e permaneceu engavetada por aproximadamente três anos.

Em março de 2026, uma reportagem do jornalista Gabriel Vaquer, repercutindo informações da Folha de S.Paulo, revelou que a Globo havia decidido finalmente lançar a série. A publicação também apontou que a ação judicial movida por Roberta teria provocado atrasos nos planos de lançamento. Entretanto, não há confirmação pública de que o processo tenha sido o único motivo para o adiamento ou de que a emissora tenha estabelecido oficialmente uma relação entre os dois acontecimentos.

Na trama, Roberta Rodrigues interpreta Verônika, uma advogada criminalista negra e ambiciosa que deixou o Morro de São Jerônimo após uma tragédia familiar e construiu uma carreira de sucesso longe da comunidade onde cresceu. Sua vida muda quando seu mentor e chefe, o influente advogado Orestes Schneider (Marcelo Torreão), é preso após se envolver em um escândalo de corrupção. Sem muitas alternativas, Verônika recebe a proposta de defender Rod (Dhério Chagas), chefe do tráfico de sua antiga comunidade e seu namorado na juventude.

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“Verônika com K” estreou em 22 de outubro de 2026 no Globoplay e marcou um importante momento na carreira de Roberta Rodrigues, que assume o protagonismo da produção. Em sua primeira semana, a série alcançou o topo entre as produções originais mais assistidas da plataforma.