A história real que supostamente inspirou a trama de “Dom de Iludir”, da Netflix

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“Dom de Iludir” é o novo sucesso nacional da Netflix, mas o que poucos sabem é que, pouco antes da produção chegar à plataforma, um caso real com semelhanças impressionantes veio à tona no Brasil e pode lembrar a trama da série.

Em 2022, Geneviève Boghici, uma idosa de 82 anos, foi vítima de um golpe que causou um prejuízo estimado em mais de R$ 700 milhões à sua família. Viúva do marchand e colecionador de arte Jean Boghici, ela foi abordada por uma falsa cartomante, que afirmava que sua filha, Sabine Boghici, corria risco de morte.

Aproveitando-se do medo da idosa de perder a filha, a mulher ofereceu supostos trabalhos espirituais e tratamentos para evitar a tragédia. Convencida de que precisava proteger Sabine, Geneviève realizou transferências milionárias. De acordo com a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, joias e obras de arte também foram retiradas da residência da colecionadora. Entre os artistas cujos trabalhos foram levados estavam Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias e Rubens Gerchman.

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As apurações apontaram ainda o envolvimento da própria filha da vítima. Segundo a investigação, Sabine fornecia informações pessoais da família à cartomante para dar credibilidade aos supostos trabalhos espirituais. Ela também teria mantido a mãe em cárcere privado. Outras pessoas foram investigadas por participação no esquema, entre elas Rosa Stanesco Nicolau, conhecida como Mãe Valéria de Oxóssi.

Sabine e Rosa chegaram a se casar e foram presas durante a investigação. Posteriormente, Sabine obteve habeas corpus, mas morreu em 2023, após cair de um prédio no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A morte foi tratada como provável suicídio.

O caso real e a série da Netflix apresentam diversas semelhanças, embora não exista confirmação de que a história tenha servido de inspiração para a produção. Assim como no episódio envolvendo Geneviève, a trama aborda manipulação emocional, exploração financeira de uma mãe rica, desvio de obras de arte e uma relação amorosa entre a filha e uma suposta guia espiritual.

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A produção, porém, apresenta diferenças na construção dos personagens, nas relações familiares, nas condições médicas das protagonistas e no desfecho da história, adaptando esses elementos para uma narrativa de melodrama e suspense.

Em “Dom de Iludir”, a história gira principalmente em torno de Lúcia (Marieta Severo) e Maíra (Alice Wegmann), mãe e filha de uma família rica do Rio de Janeiro. Apesar da vida privilegiada, as duas mantêm uma relação difícil e turbulenta, marcada por conflitos familiares e questões que vão muito além das desavenças comuns entre mãe e filha.

“Dom de Iludir” já está disponível na Netflix.