Mateus Carrieri revelou que já passou pelo “teste do sofá”: “Parecia ser normal”

Mateus Carrieri
ㅤ

O chamado “teste do sofá” é um conceito que há décadas ronda a indústria do entretenimento, seja por relatos concretos ou pelas histórias que circulam nos bastidores. Em entrevista recente, o ator Mateus Carrieri afirmou ter passado por uma situação do tipo no início de sua carreira e refletiu sobre as mudanças na forma como casos de assédio são encarados atualmente.

Durante sua participação em um programa da TMC, Carrieri comparou as décadas de 1970, 1980 e 1990 com o cenário atual e afirmou perceber uma mudança na maneira como vítimas de assédio podem denunciar situações abusivas. Segundo o ator, atualmente existem mais mecanismos e oportunidades para que esses casos sejam expostos.

Carrieri também contou que passou pelo chamado “teste do sofá” durante os primeiros anos de sua carreira, mas que, naquele período, encarava a situação de maneira diferente por acreditar que aquilo fazia parte da realidade da profissão.

ㅤ

“Eu venho de uma geração que tinha isso e era normal. Os anos 70, 80 e 90 foram para os fortes. Nós sobrevivemos a isso e, graças a Deus, hoje diminuiu muito. Não cabe mais, ainda bem, tanto para homens quanto para mulheres. Hoje você tem mecanismo de denunciar, você tem coragem para denunciar alguma coisa. Na minha época era mais difícil. Mas passei por isso. Eu, na época, entendia que era até normal, porque parecia ser normal”, relembrou o ator.

O artista também falou sobre a relação de poder dentro das empresas e como ela pode contribuir para situações de assédio. Carrieri ressaltou ainda que o problema não se limita ao assédio sexual, citando também o assédio moral no ambiente de trabalho.

“A relação de poder sempre tem alguma coisa assim, ainda hoje. E assédio não é só sexual. Há o assédio moral, o assédio em uma empresa. Quem tem o poder de escalar, de dar um emprego, de dar uma promoção… está dentro do ser humano a maldade e a bondade também. Mas quem precisa muito de uma coisa às vezes faz coisas que realmente não acha tão certo ou não gostaria que acontecesse. É normal. Mas eu acho que diminuiu bastante, principalmente, graças a Deus, com relação às mulheres.”

ㅤ

Apesar de considerar que houve mudanças, Carrieri destacou que situações de assédio ainda acontecem e defendeu que sejam denunciadas e expostas para contribuir com uma transformação cultural na indústria.

“Mas acontece ainda, e eu acho que sempre que acontecer tem que ser denunciado, porque aí vai se criando outra cultura, de que isso está errado. A gente tem que saber que não é certo, que é errado, que a gente tem outros mecanismos para conseguir um emprego, um personagem, um papel”, comentou.

Com mais de 50 anos de carreira na televisão, Mateus Carrieri começou a trabalhar ainda na infância e acumulou passagens por produções como “Chiquititas” e “Malhação“, além de ter participado de “A Fazenda“.

ㅤ

Assista ao programa completo aqui: