A história real que inspirou “A Testemunha”, nova minissérie da Netflix

A minissérie “A Testemunha” estreou nesta quinta-feira (4) na Netflix explorando um dos crimes mais chocantes da década de 90 em Londres: o assassinato da modelo Rachel Nickell na presença de seu filho, Alex, de apenas dois anos.
No dia 15 de julho de 1992, a britânica passeava pelo Wimbledon Common, no sudoeste de Londres, com seu filho Alex e sua cadela, Molly. A mãe de 23 anos foi atacada de repente, sofreu abuso s#x#al e foi esf#que#da 49 vezes até morrer — tudo em plena luz do dia, enquanto seu filho assistia.
Quando outras pessoas que passeavam pelo local se depararam com a cena, Alex estava abraçado ao corpo da mãe, coberto de sangue, repetindo: “Wake up, Mummy” (“Acorda, mamãe”). Segundo relatos posteriores desses transeuntes, o menino chegou a colocar um pedaço de papel na cabeça da mãe, acreditando que poderia ajudá-la.
O assassinato da mãe colocou Alex no centro das atenções como a única testemunha e uma das fontes mais jovens já prestadas à polícia. O pai do garoto, André, optou por mudar-se com a família para uma área rural da França por medo pela segurança do filho, já que o assassino de Rachel ainda estava à solta e poderia querer se livrar da única testemunha ocular.
O crime causou enorme comoção no Reino Unido e recebeu cobertura intensa da imprensa. Sob enorme pressão pública para encontrar rapidamente o assassino, a polícia concentrou suas atenções em Colin Stagg, um homem que morava próximo à região e costumava passear com seu cachorro em Wimbledon Common, o local do assassinato.

André, e do filho, Alex.
A suspeita surgiu principalmente por causa de um perfil psicológico elaborado pelo criminologista Paul Britton. Embora não existissem evidências físicas ligando Stagg ao crime, os investigadores passaram a acreditar que ele correspondia ao perfil do assassino.
Diante dessa suspeita, a polícia lançou uma operação secreta chamada “Operation Edzell”, na qual uma policial infiltrada fingiu interesse romântico por Stagg durante meses, trocando cartas, telefonemas e encontros. Ela chegou a inventar histórias sobre assassinatos para tentar induzi-lo a confessar o crime. Mesmo após toda a operação, Stagg jamais confessou o assassinato e continuou negando envolvimento.
Apesar de nunca ter se declarado culpado, Stagg foi acusado formalmente. Em 1994, o juiz rejeitou o caso antes mesmo do julgamento completo, classificando os métodos policiais como inadequados e abusivos. Stagg foi libertado após cerca de um ano em prisão preventiva. Posteriormente, a polícia reconheceu os erros, e Stagg recebeu indenização pelos danos sofridos, visto que sua vida foi profundamente afetada pela falsa acusação.
Foi somente entre o final dos anos 1900 e início dos anos 2000 que o caso foi reaberto. Usando técnicas mais modernas, a polícia percebeu que um homem chamado Robert Napper merecia atenção. Ele já havia sido ligado a uma série de est#pr#s violentos no sudeste de Londres, conhecidos como os “Green Chain Rapes”. Além disso, em 1993, um ano após o assassinato de Rachel, ele havia assassinado Samantha Bisset e sua filha pequena em um crime que apresentava características semelhantes com aquele praticado contra a modelo.
Em 1992, ano que em Rachel foi assassinada, os investigadores coletaram material biológico do local e das roupas da vítima, mas não conseguiram obter um perfil genético completo do criminoso devido à tecnologia de DNA limitada da época. No entanto, com as novas técnicas forenses disponíveis nos anos 2000, os especialistas conseguiram extrair um perfil de DNA muito mais completo das evidências preservadas desde 1992. Esse perfil foi comparado ao DNA de Napper e apresentou correspondência.
Apenas em 2008, mais de 16 anos após o crime, Napper foi preso pelo assassinato de Rachel. Durante o processo, ele não fez uma confissão pública detalhada, mas aceitou a acusação de homicídio culposo por responsabilidade diminuída alegando sofrer de esquizofrenia paranoide grave. Em 2008, o tribunal concluiu que ele era o responsável pela morte de Rachel e ordenou sua internação por tempo indeterminado em Broadmoor Hospital.







