“Alpha”, polêmico filme que estreou em Cannes, chega nos streamings

Alpha

“Alpha”, novo filme da diretora Julia Ducournau, estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2025 e imediatamente chamou a atenção por combinar drama, thriller e body horror — marcas registradas da cineasta de “Raw” e “Titane”.

Ambientado em uma cidade fictícia inspirada na Nova York dos anos 1980, o longa retrata uma sociedade devastada por uma epidemia desconhecida que espalha medo, preconceito e isolamento. Após fazer uma tatuagem com uma agulha compartilhada, a adolescente Alpha passa a ser alvo de rumores na escola, enquanto sua mãe, médica responsável por tratar pacientes contaminados, teme que a filha tenha sido infectada.

Ao mesmo tempo, Amin, tio de Alpha e dependente químico, vai morar com a família na tentativa de se recuperar. A convivência entre os dois fortalece um vínculo inesperado, mas também expõe a jovem à deterioração física e emocional causada pela doença e pelo vício. À medida que a paranoia coletiva cresce, Alpha precisa enfrentar o preconceito, o medo da morte e a fragilidade dos laços familiares.

Embora utilize os elementos de horror corporal característicos da filmografia de Ducournau, “Alpha” é, acima de tudo, uma história sobre amadurecimento, luto e exclusão. A doença fictícia funciona como uma metáfora para o estigma em torno das grandes epidemias — especialmente a crise da AIDS —, explorando como o medo pode transformar pessoas e comunidades. A diretora, porém, ressalta que o filme não pretende representar literalmente a AIDS, mas refletir de forma mais ampla sobre os ciclos de medo, ódio e desumanização.

Assista ao trailer:

O elenco reúne Mélissa Boros, Golshifteh Farahani, Tahar Rahim, Emma Mackey, Finnegan Oldfield e Louai El Amrousy.

A direção e o roteiro são assinados por Julia Ducournau, enquanto Éric Altmayer, Nicolas Altmayer, Arnaud Chautard e Jean-Rachid Kallouche assinam a produção.

Exibido na Competição Oficial de Cannes, “Alpha” dividiu público e crítica. No Rotten Tomatoes, o filme registra 58% de aprovação, com média de 6,0/10.

Em uma crítica de nota máxima, o The Playlist escreveu que o longa “disseca visceralmente os laços entre amor e trauma” por meio de sua estrutura fragmentada, composta por diferentes linhas temporais, sonhos e memórias difusas.

Já o The Guardian foi na direção oposta, afirmando que a narrativa é “exagerada e confusa a ponto de beirar o absurdo“, criticando o excesso de intensidade emocional e considerando o resultado pouco convincente.

Após passar por festivais internacionais e pelos cinemas ao longo de mais de um ano, “Alpha” chegou ao catálogo da MUBI nesta semana.

Pôster oficial de “Alpha”
Reprodução: MUBI